Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

1/8/08

O Cineasta Woody Allen

 

Woody Allen continua a perambular por terras estranhas a fim de realizar suas obras. E isso está fazendo um bem e tanto ao baixinho hipocondríaco e tagarela. Com exceção do insosso “Scoop”, essa mudança de ares tem revelado uma faceta do diretor do bonitinho “Zelig”, que a maioria do público desconhecia: o Allen cineasta. Não é difícil perceber com quais pilares a maioria das obras do nova-iorquino se sustentaram ao longo dos anos; da auto-adoração e da gentileza dramatúrgica, em sua expressão mais aguda. Seus filmes sempre lançaram esse olhar reducionista ao cinema. Não à toa, Allen, com sua obsessão Bergmaniana, bradou em seus filmes, e apenas isso, a fábula constante do ser humano e de suas idiossincrasias. Ingmar Bergman nasceu no teatro. Mas não era tolo o bastante para destruir o retrato puro da sétima-arte. Woody Allen, diferente do astuto Bergman, abusava dos monólogos intermináveis, de marcações pobres e estéreis, de um dinamismo indolente viabilizado por personagens cimentados em um divã torto. Objetos máximos da preguiça cinematográfica. Sempre foi bom rir com Woody Allen, mas nunca foi bom rir do cinema.

 

 

Em sua nova obra, “O Sonho de Cassandra”, Allen vai buscar paralelo em tons Shakespearianos e nos laços das famosas tragédias gregas. Mas isso não seria o bastante para realocar o diretor ao castelo grandioso e infinito, liderado lá de cima, por Alfred Hitchcock e sua adorável turma. “O Sonho de Cassandra” adota uma narrativa elegante, com planos-seqüência desde já memoráveis, planos osciladores, quietos e viscerais - tal qual a oscilação dos personagens. A construção do eixo dramático, entre o tio e os irmãos, é mostrada em uma das seqüências mais fortes e soberbas deste ano: depois de uma conversa tranqüila - onde cada qual ‘demonstra’ sua personalidade - os personagens forçados por um temporal, caminham em direção a uma árvore, e escondidos entre ela, somos apresentados de fato ao personagem do tio e a um elemento inserido no diálogo entre os três, que será o fio-condutor da narrativa.

 

 

Outro momento grandioso é digno de aplausos, a cena que fecha com a decisão dos irmãos: a do crime. Após uma tentativa frustada, eles decidem planejar para o dia seguinte a execução do plano. Perseguem sua futura vitima até o momento oportuno: em uma ruela, apertada e tomada por cercas vivas, uma abordagem destrambelhada é lançada. A câmera recua em um sutil travelling, se afastando da pavorosa decisão que os irmãos haviam tomado. A sequência citada é tão delicada, de um rigor e primor imagético refinadíssimo, que faria Bernado Bertolucci se enterrar de tanta vergonha. Nada mais justo, e coerente, jogar confetes em cima de um homem que, passou a vida toda procurando apenas a gargalhada teatral. Se o diretor, em “O Sonho de Cassandra", agiu como um falso profundo, como muitos apregoaram, pelo menos o franzino teve a decência - tal qual no sublime “Match Point”- de ser um, utilizando a magistral arte que ele ousou escolher: o cinema. Seja bem-vindo cineasta Woody Allen.

 

 

 

 

 

criado por marklewis    17:43 — Arquivado em: Sem categoria

24/7/08

O Doce Sopro de Caim-“Batman Cavaleiro Das Trevas”

 

Ao contrário do que a maioria grita, em tempos de febre Batmaniana nos cinemas, nunca fui adorador do personagem. O homem-morcego não chamava minha atenção nos quadrinhos, nem em desenhos e muito menos nas capengas e soporíferas adaptações para a tela grande. Quando menor o que preenchia minhas noites de insônia ou era uma edição da MAD, ou uma das aventuras do malandro Zé Carioca. Um sujeito chamado Christopher Nolan, diretorzinho que sempre procurava algo - mas só achava a bagunça generalizada em seus filmes - deu um sopro de vida não aos personagens, mas sim, à obra.

 

 

Fez de “Batman- Cavaleiro das Trevas” uma tábua de salvação. A Obra perniciosa, nociva e pesada encontra aquele cinema querido, que muitos cinéfilos sentem falta: o cinemão. Obras que possuem fôlego e vigor narrativo, e que não esquecem que mesmo em um terreno distante do autoral, a possibilidade de criação alcança patamares até não desejados por seus criadores. Esse é o caso que, felizmente, toma conta de Nolan e de “Batman- Cavaleiro das Trevas”.

 

 

A abertura do filme demonstra que a mão do diretor sofria de uma benção necessária: a câmera segue em travelling vertiginoso em direção a um arranha-céu, a vidraça é estilhaçada. Ladrões mascarados tomam de assalto um banco. Homens matando uns aos outros. A seqüência por mais simples que possa parecer, contém toda a modulação do mal, por qual a obra vai espernear o tempo inteiro. A loucura se instaura. O tom policial, humanista, realista, e doentio, trata de dar alimento ao embate, não entre Batman e Coringa, não entre o comissário Gordon e a corrupção de Gothan, mas sim entre o ser humano e sua derrota.

 

 

O campo é aberto para o ser humano e suas dores. Coringa altera a origem de suas cicatrizes a todo o momento. Batman renega salvar seu grande amor por um bem ‘maior’. Gordon participa de uma farsa que provoca reações negativas em sua família. Dois barcos e dois detonadores. Está armada a confusão: um leva os civis, pessoas de dignidade e de boa conduta, o outro, carrega a escória da humanidade, assassinos. Nolan ‘aborta’ o desfecho crucial do incrível set-piece às avessas. Mas aí já era tarde demais. O ser humano se encarrega de mostrar, cada qual, a sua essência. Nolan participa do jogo alterando e manipulando sabiamente o espaço entre os personagens. Esse espaço estrutural, vindo dos filmes de gênero, encurta a distância entre os filmes de entretenimento e “filmes artísticos”. “Batman-Cavaleiro das Trevas” cospe em nossa cara a assertiva do sublime Fritz Lang: “somos todos filhos de Caim”. Nunca foi tão saboroso sentir o doce sopro, herdado do assassino de Abel.

criado por marklewis    21:09 — Arquivado em: Sem categoria

23/7/08

Viva a Interação!

 

Tenho medo que meu blog se transforme em um ‘depósito’. Falo isso porque vejo muitos "depósitos" pela internet. Em todos os sentidos. Blog que desaparece, blog feito por homens invisíveis. Esse é o mais comum e não me apetece, nem um pouco. Vejo blog usando o termo ‘interação’ de forma errônea. Refiro-me a postura dorminhoca que o blog da ACCPA adota. Eu não estou aqui para cobrar nada de ninguém, que fique claro. Até porque quem deveria se cobrar são os próprios críticos de cinema de nossa querida cidade. Se eu crio um espaço para "uma maior interação"- palavras da ACCPA- com os cinemaníacos, é claro que deve haver um salto grande quando se ‘passa’ do jornal impresso- recurso ‘impossível’ de pedir interação- para as páginas virtuais, onde se tem uma troca mais ‘verdadeira’, mais ‘real’, mais ‘palpável’. Reclamei, como sempre reclamo. Não posso perder meu querido costume. Aproveitei a deixa de meu amigo Ronaldo Passarinho, no blog da ACCPA, e falei algo sobre essa falta de tato que eles lançam no espaço. Acho que puxar o mouse um pouquinho, mexer o teclado para direita ou esquerda, teclar algumas palavrinhas, não será motivo para quebrar o braço de ninguém. Queria que alguém me informasse quantas pessoas fazem parte da ACCPA, meus braços passariam horas tentando fazer uma equação dessa "interação". "Recebi", após dezenove dias de minha reclamação, a seguinte resposta de um dos integrantes da ACCPA: "amigos, estamos melhorando o blog, fiquem atentos". Como diz a letra do ‘hino’ torturador- que meu tio ama ouvir- de nosso querido estado: "…isso é Belém, isso é Pará… isso é Brasil". Viva a interação!

criado por marklewis    21:03 — Arquivado em: Sem categoria

12/7/08

Cadê Meus Óculos?

 

Definitivamente não me considero uma pessoa chata. Muito menos arrogante e pedante. Mas existem coisas na vida que fazem você estufar o peito e querer sair matando tudo que ‘carrega’ dois braços, duas pernas e algum resíduo de massa encefálica. Na última Sexta-Feira estava me preparando, após um dia exausto de muita correria, para assistir o tão comentando “WALL- E”, nova animação realizada pela Pixar, que algum tempo atrás foi incorporada pela ‘papa tudo’ Disney. Fui perceber, de última hora, que o horário de exibição não era compatível com o meu. A “recompensa” não demorou em chegar. Descobri que havia entrado na cidade um filme que utiliza um famoso e conhecido efeito: o em 3-D.

 

 

Meu único desejo quando criança era o de entrar em um cinema que estivesse passando um filme com os tais efeitos, os que sentimos os objetos sendo ‘lançados’ para fora da tela. Em um famoso parque de São Paulo, tive a oportunidade mágica de entrar em um ‘Cinema 360 graus’- hoje é difícil ver algum seja lá onde for. Tive que enfrentar uma escadaria para entrar nele. Acho que foi a maior tela que vi na vida, uma dessas telas que possuem o dobro do famoso formato esticado dos anos 50: o ‘Cinemascope’. Fiquei maravilhado com o que era exibido. Um mero filme curto, no máximo de 7 minutos: pessoas, trens, animais. Apenas um pretexto para mostrar aquela monstruosidade de sala. Depois fiquei sabendo que o que eu tinha acabado de ver não era o efeito em 3-D. Foi o fim do mundo para mim. Moleque bobão! Depois disso, no começo dos anos 90, em Belém, tentei ver o “A Hora do Pesadelo: Pesadelo Final”. A obra só tem os últimos minutos em 3-D, mas mesmo assim queria estar lá, para ver a magia. Fui barrado pelo porteiro do saudoso ‘Cinema Nazaré’. Que malvado! “Pequenos Espiões 3-D” no ‘Narazé 2’, o filme é uma bomba mas deu pra perceber um pouco da magia que eu havia perdido quando moleque.

 

 

O filme que eu acabei não dizendo no começo do texto é a “Viagem ao Centro da Terra”. Aprimoramento nos efeitos e agora em um filme com pessoas de carne e osso. Meus olhos começaram a brilhar no mesmo instante. Corri para o espaço ‘Moviecom-Castanheira’, estava tão eufórico que nem tomei minha precaução costumeira. Só ao entrar na anti-sala, com o bilhete na mão, é que fui perguntar ao bilheteiro: “é com sistema 3-D, então cadê os óculos”? Fui atingido por sua resposta ingênua e educada: “é claro que é, mas eu acho que cada pessoa tem que trazer de casa  o seu, ou mandar comprar”. A sala do ‘Moviecom-Castanheira’ não deu condições para o público ver a obra com seu sistema original. Peço mais respeito com o público paraense e que da próxima vez coloquem, no mínimo, um aviso com as indicações. Entrei na sala de exibição como uma criança perdida -sem culpar o cavalheiro que só recebe ( ou não)  ordens- e  imaginando a cena hilária : o Mark sentado no chão de casa, confeccionando seus óculos para filmes em 3-D. Ainda não foi dessa vez.

 

criado por marklewis    12:08 — Arquivado em: Sem categoria

8/7/08

Prefiro Ver Cinema

 

Ando um tanto atarefado. Ultimamente tenho deixado meu estimado “filho” apenas com as ‘aventuras’ cineclubistas da APJCC. Mas esse ‘abandono’ é necessário e salutar. ‘Alimento’ dois macacos com uma banana só. Essa correria quebra até um galho na atualização do blog e ainda faço a divulgação das ações que a associação anda promovendo. Dei uma espiada nos arquivos e confirmei minha falta de zelo, com os ciclos dos quais sou curador, e com os que ando dando uma pequena mãozinha. Mas agora o Mark vai andar na linha. Uma linha torta, porém honesta. Sábado passado foi a vez de “Pierrot Le Fou”, na sessão maldita. Fiquei assustado com a quantidade de gente que apareceu.

 

 

Acho que isso faz de mim um pecador. Um pecador por não ter acreditado na força que o grande Jean-Luc Godard ainda tinha a oferecer. Fiquei realmente emocionado. Mais uma parcela paga da eterna dívida que herdei, ao escolher a sétima-arte como minha sublime morada. Sempre digo que nunca conseguirei pagar esta dívida, nem daqui a cem anos. Nem se no paraíso houver cinefilia (ou no inferno), eu conseguirei me sentir em uma zona de conforto. Todo cinéfilo que se preze deveria esbravejar pelos quatro quantos: “sou um devedor”. Com o cinema não se brinca. Ou a pessoa  se ajoelha perante o cinema ou  ela grita  ao mundo que faz parte apenas da turma da filmefilia.

 

 

‘Devo’ a tanto cineasta que fico até com vergonha de mim mesmo. No momento estou mais revendo filmes do que vendo coisas novas. Culpa desta grande dívida que tenho o prazer de pagar. Não teria coragem  de  agir como um desalmado e colocar na “bandeja de prioridades” o novo Sean Penn, ou o novo Ang Lee, ou o novo seja-lá-quem-for diretorzinho bundão festejado em algum festival mais bundão ainda. Prefiro ficar com meus velhos ‘amigos’ e afagar outros talentosos que estão na rua da amargura.

 

 

Kenji Mizoguchi ainda é pouco conhecido no Brasil. Mais de cinqüenta filmes de um dos maiores cineastas do mundo foram destruídos no período da segunda guerra mundial. Acaba de sair em versão nacional, uma de suas pérolas, “Contos da Lua Vaga”. Um plano qualquer desse filme – escolha qualquer um- vale mais do que a filmografia inteira do insosso e nocivo Akira Kurosawa.

 

 

Prefiro Chafurdar e tentar desenterrar algo novo- mesmo que seja impossível- do grande Orson Welles, pois todo cinéfilo é sonhador. Prefiro rever cem vezes toda a filmografia do mestre Alfred Hitchcock. Prefiro chorar pela milésima vez ao ver “Stalker”. Prefiro babar nas calças do rejeitado, humilhado e apedrejado M. Night Shayamalan a ter que iluminar o terreno  fetichista  e impuro de Gus Van Sant.

 

 

Prefiro correr em direção aos devaneios do imagético Lucio Fulci a ter que ficar saboreando a falta de viço nos filmes de Pedro Almodovar. Prefiro puxar o tapete, não à toa, do cafajeste Tim Burton e construir o trono do verdadeiro Deus do gótico, Mario Bava. Prefiro ver os milhares de travelling-óticos dos filmes de Chang Cheh a ter que ver um saco ‘voando’.

 

 

Prefiro não dar a mínima para os pecadores que maltratam a arte dos sublimes Luchino Visconti, Sergio Corbucci e Nicholas Ray. Prefiro me ajoelhar ao classicismo poético de Valério Zurlini a ter que ficar cego, ao ver as estripulias do meninão Marco Ferreri. Uma questão de dívida e amor. Conheço gente que prefere ver filme. Eu prefiro ver cinema.

 

 

 

 

 

 

criado por marklewis    19:59 — Arquivado em: Sem categoria

1/7/08

Pierrot Le Fou na Sessão Maldita

 

Jean-luc Godard é um dos grandes pilares do cinema francês e de toda a história desta grande arte. Quando David Wark Griffith empunhou sua câmera, na primeira obra adulta do cinema, “Nascimento de Uma Nação”, em 1915, nascia ali uma arte genuína, que defendia sua linguagem, suas unidades e sua autonomia. Os irmãos Lumière deram ao mundo a máquina foto-reprodutora da realidade, mas foi o corajoso cineasta americano que desbravou o até então ‘filho’ do teatro e o elevou a condição de arte.

 

 

Após 45 anos do amadurecimento do cinema, na França, uma turma sorvia todos os gens da filmografia americana, e também percorriam diversos caminhos por quais diretores autorais deixavam suas marcas, de diferentes nacionalidades - Dinamarca, Itália, Japão, União Soviética - mas que tinham uma coisa em comum: ‘o respeito e fidelidade para com o cinema’. Nascia as páginas amarelas da famosa e sublime “Cahiers Du Cinema”, que depois deu como fruto uma grande turma denominada por jornalistas de “Nouvelle Vague”. E nesse terreno múltiplo, estava Jean-luc Godard, junto com seus confrades de ‘trabalho’: Jacques Rivette, François Truffaut, Claude Chabrol e outros sonhadores.

 

 

“Acossado”, o primeiro longa de Godard, nasceu em 1959, de um roteiro que Truffaut havia feito sobre um fato real. A obra mistura elementos de detetive, comédia e suspense, só que de um modo sincopado demais para os padrões da época. A barreira havia sido quebrada. A impressão Godardiana sobre os fatos não só do mundo, mas também, do cinema, estaria lançada. “Pierrot Le Fou”, 1965, é uma obra visceral, anárquica, experimental e carrega todos os emblemas que o diretor franco-suíço pregou em suas obras anteriores. Em “Pierrot Le Fou” temos o tom de liberdade anarquista, que fica difícil enxergar outro paralelo dentro da turma da “Nouvelle Vague”.O autor de “Viver a Vida” nos presenteia com um sublime jogo de signos.

 

 

Seu cinema levanta a questão do cinema, seus filmes falam sobre filmes. “Pierrot Le Fou” respira arte e propõe que o cinema pode andar de mãos dadas com as demais artes - pintura, literatura, quadrinhos, poesia visual - sem que estas clamem por alguma soberania. “Pierrot Le Fou” é uma obra de diálogos imagéticos e que lança o olhar de interrupção que norteia todo fragmento da narrativa ‘destruída’ - esta sim, de tom mais abrupto, pois Godard não tinha roteiro, tudo foi feito em função de um fluxo de linhas, “mal” riscadas, que o diretor tinha em seu caderno - e caminha perfeitamente com o embate de eixos: cinema de vanguarda e cinema clássico, cultura pop e cultura erudita, Samuel Fuller e Velasquez, vida e cinema, um não anda sem o outro e tudo é permitido no campo de batalhas de “Pierrot Le Fou”.

 

 

Jean-Luc Godard disse certa vez: “Houve um tempo em que talvez o cinema podia melhorar a sociedade, esse tempo se perdeu”. Com meia dúzia de travellings sublimes, planos expressivos, diálogos, luzes filtradas cheias de cor, Godard deixa escapar, que em “Pierrot Le Fou”, esse tempo é sentido.

AERTON MARTINS- APJCC. 

SERVIÇO: CINE LÍBERO LUXARDO (CENTUR)

SESSÃO MALDITA: PIERROT LE FOU

DIA 05 DE JULHO, SÁBADO, ÀS 21h30

ENTRADA FRANCA

“PIERROT LE FOU” DE JEAN-LUC GODARD

França. 1965. Cor. 110min.

Elenco: Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Dirk Sanders, Raymond Devos, Samuel Fuller.

 

criado por marklewis    18:22 — Arquivado em: Sem categoria

27/6/08

Ciclo Samuel Fuller no ‘Cinema na Casa’

 

Samuel Fuller nasceu em 12 de agosto de 1912, em Massachustes, EUA, e morreu em 30 de outubro de 1997. Depois de entrar na imprensa criminal, foi soldado e participou de dois desembarques em tropas de choque do exército americano. ‘Lutador’, homem de ação e de sentimentos. Debutou no cinema com a obra “Matei Jesse James”, uma visão cínica e mordaz sobre o assassino de Jesse James, Bob Ford. Nesta obra, somos apresentados a um dos grandes pilares de sua filmografia: ‘o amor que se transforma em violência’. Sua carreira é pautada nos famosos filmes de gênero: policial, guerra e faroeste.

 

 

Acusado de Comunista, anarquista, direitista, fascista e belicista, por jornalistas e críticos, Fuller não se deixava abater em seu “campo de batalha”. Legou-nos 25 obras ao longo de sua carreira. Entre elas estão às obras-primas “Beijo Amargo” (1964), visão cínica de uma cidadezinha hipócrita, e que serviu de base para “Twin Peaks”, famosa obra do diretor David Lynch, “Paixões que Alucinam” (1963), que narra a aventura de um jornalista, que finge ser louco para investigar um crime no manicômio, “Forty Guns” (1957), western feminista e radical, que quebra os cânones do gênero. Mudou-se para Europa, no fim dos anos 60, em função das dificuldades que Hollywood passava.

 

 

 

Na Alemanha filma episódios para a TV e “Em Ritmo de Assassinato” (1974), thriller que tem a famosa Beethovenstrasse como cenário principal, e que os alemães acharam desrespeitoso para com o país. Após um período difícil fora da América, Fuller daria ao público mais duas obras-primas, o filme de guerra “Agonia e Glória”, filme com nuances autobiográficos, e o famoso e maldito “Cão Branco” (1982), filme apedrejado pela critica em sua época, que conta a história de um cão treinado somente para atacar pessoas negras.

 

 

E é em cima de cinco dentre essas sete obras que o “Cinema na Casa” celebrará um dos maiores realizadores da sétima-arte. Samuel Fuller é o cinema ‘humor-negro’, seus fotogramas são ao mesmo tempo ousados e quietos. Privilegia a montagem com cortes secos e sua câmera invasora ensina o olhar cinematográfico. Influenciou diversos cineastas, de Jean-Luc Godard a Jim Jarmusch, de Martin Scorsese a Quentin Tarantino. Scorsese gritou ao mundo: “apreciar um filme de Fuller é ser sensível ao cinema, na sua própria essência: o movimento como emoção”.

AERTON MARTINS – APJCC.

 

Projeto ‘Cinema na Casa’: Uma parceria da Fundação Curro Velho com a APJCC- ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE JOVENS CRITICOS DE CINEMA.- ‘FELLINIANOS’, ‘TRASHFORMAÇÃO’ E ‘CINE-UEPA’ . Ciclo Samuel Fuller, toda terça às 18h30, no auditório da Casa da Linguagem (Av. Nazaré, 31). ENTRADA FRANCA

 

Filmes:
01/07 – Matei Jesse James
08/07 – Paixões que Alucinam
15/07 – Beijo Amargo
22/07 – Agonia e Glória
29/07 – Dragões da Violência

 

 

 

 

 

criado por marklewis    18:46 — Arquivado em: Sem categoria

17/6/08

“Em Busca da Obra”

 

Andrei Tarkovski vivia dizendo que seu maior sonho como cineasta era fazer um filme inteiramente em plano-sequência, só assim ele estaria em paz com a sétima-arte. Não foi à toa que um de seus discípulos, Aleksander Sokurov, realizou “Arca Russa” utilizando o artifício de filmar sem que haja cortes. Isso me leva a acreditar  na grande coragem que tomava conta da alma do grande M. Night Shyamalan, quando estava dirigindo “Fim dos Tempos”. Ele não estava pensando em seu público, nem nele, muito menos nos executivos. Estava pensando tão somente na dívida que tinha para com o cinema. “Fim dos Tempos” é uma obra que peita! Mais do que “A Vila” e “A Dama na Água” peitaram. “A Dama na Água” experimentou em cima de um conto de fadas, deixando um sabor cinemático em cada fiapo da narrativa.

 

 

“A Vila” ‘preteriu’ tanto o público em favor do cinema que nem seu subtexto ‘ralo’ estragou a diversão imagética, se tornando uma obra pungente em todos os sentidos. Em “Fim dos Tempos” vemos a destruição de qualquer convenção carola por qual uma narrativa classicista passaria . Um Personagem crucial é destruído sem o menor pudor: o senhor que dá a resposta para todo o acontecimento da trama. Um personagem ilustrativo, que permite o equilíbrio dramático com a cena da “conversa” entre a planta de plástico e o personagem vivido por Mark Wahlberg.

 

 

Atuações medíocres? Com toda certeza. Mas cinema não é atuação. Mensagens tortas para dar e vender? Talvez sim. Mas Shyamalan não acredita tanto em soluções para a sociedade, quer apenas brincar com elas. Assim como “brinca” e coloca suas obras onde bem entende. “Fim dos Tempos” pode até parecer frágil, pueril, sem sentido, mas em cada fotograma sua força é lançada, mesmo que pelos meios mais superficiais- Hitchcock foi o pai do “superficial” e um dos maiores gênios do cinema. Shyamalan, em sua recente obra e em toda sua filmografia, serve-se do cinema (o honesto e verdadeiro) o tempo todo. “Fim dos Tempos” nunca, com toda certeza, irá correr atrás de seu público: seu grito é muito “fraco”, “simplista”, "amador". A obra vai encontrar seus espectadores apenas se eles saírem em busca dela. David Wark Griffith, não se preocupe, tem gente cuidando muito bem do cinema aqui embaixo.

 

criado por marklewis    20:56 — Arquivado em: Sem categoria

12/6/08

Feliz Dia

Dia dos namorados. Presentes, declarações de amor e traições. Grande dia. Estúpido dia. Dia de acordar suspirando. Dia de ver o sol mais lindo – apesar do céu nublado. Dia de ver a lua mais brilhosa. Dia de dar as mãos. Dia de sorrir mais. Dia de andar com cara de pateta pela rua. Dia de olhar para a namorada e dizer o quanto você a traiu, o mesmo vale para ela. Dia de temperar seu relacionamento com coisas mais saborosas. Dia de ver filmes românticos. Feliz dia a todos os pombinhos apaixonados.
criado por marklewis    13:11 — Arquivado em: Sem categoria

11/6/08

Maldita Cancelada

Por motivos técnicos a sessão maldita do dia 14/06 foi cancelada. Imprevistos acontecem. Peço, em nome da APJCC, a compreensão do público paraense. O Mark pede um favorzinho a vocês, espalhem a noticia pela cidade. A nova data será divulgada. Falando em cinema, corram para ver o sublime épico chamado “Sangue Negro”, que entra hoje em cartaz e fica até domingo,15/06, no Cine Líbero Luxardo do Centur. Obra do futuro. “Sangue Negro” grita CINEMA para todos os lados. E ai de quem perder este sublime jogo operístico do autor do não menos sublime “Embriagado de Amor”.

criado por marklewis    12:51 — Arquivado em: Sem categoria
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