3/10/08
O grito de Lachenay

Eis uma pequena pérola que entrego a vocês, leitores. O texto não é imenso, mas foi com esse pequeno grito que li em uma revista de cinema , em uma época distante- revistas avermelhadas que se pareciam mais com prédios, de tão finas que eram- que fez este blogueiro olhar o cinema de outra maneira. Um dos grandes pensadores da sétima-arte:
"André Bazin gosta muito de Cidadão Kane e Soberba, um pouco de A Dama de Xangai e Otelo, pouquíssimo de Jornada do Pavor e Macbeth, e nada de O Estranho. Cocteau gosta muito de Macbeth mas não de O Estranho. Sadoul gosta demais de Kane e de Soberba mas não aprecia nem um pouco Jornada do Pavor e Macbeth. Quem tem razão? Apesar do respeito que tenho por Cocteau, Bazin e Sadoul, prefiro filiar-me à opinião de Astruc, Rivette, Truffaut e tutti quanti que adoram sem distinção todos os filmes de Welles porque eles são filmes de Welles e não parecem com nenhum outro, por uma certa atuação de Welles que é um diálogo shakespeariano com o céu (o olhar passando por sobre a cabeça de seus comparsas), por uma qualidade da imagem que deve menos à plástica do que a um notável senso da dramaturgia das cenas, por uma invenção perpétua verbal e técnica, por tudo isso que cria um estilo, esse “estilo Welles” que encontramos em todos seus filmes, sejam eles luxuosos ou esquartejados, filmados de forma rápida ou lenta. Eu ainda não vi Relatório Confidencial, mas eu sei que é um bom filme porque ele é de Orson Welles, e mesmo que Orson Welles quisesse fazer um filme de Delannoy ele não conseguiria. O resto é tagarelice de fofoqueira."
Robert Lachenay
P.s: Robert Lachenay é um dos vários pseudônimos que o grande François Truffaut ultilizava à época de suas escritas abençoadas na ‘Cahiers du Cinema’. Pegou emprestado o nome de seu amigo de infância que o acompanhava nas sessões de cinema. Truffaut também deu o sobrenome Lachenay para alguns personagens de seus filmes.
criado por marklewis
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