22/12/08
Endereço
Caros Leitores,
Segue o link do novo espaço do “Cinema na Mangueirosa”.
http://cinemanamangueirosa.zip.net/
Até.
Aerton Martins.
Caros Leitores,
Segue o link do novo espaço do “Cinema na Mangueirosa”.
http://cinemanamangueirosa.zip.net/
Até.
Aerton Martins.

Meus confrades lembraram do road movie e eu bati o martelo sem pensar duas vezes. Nada melhor terminar a programação de 2008 com esta obra visceral. Outra nova é que a APJCC tá de berço. Um aninho. Um bebê que nos deu muitos filmes, mostras e oficinas. Faço parte dessa turma e escolhemos os melhores filmes do ano para a comemoração.

Fim de ano chegando, as famosas listas e listas dos melhores. Darei uma de menino sapeca e também farei a minha. A Luzia Miranda Álvares já colocou em sua coluna, “Panorama”, uma imensa lista do que passou nos cinemas de Belém esse ano. Essa lista vai ajudar muita gente. Senti falta do “Império dos Sonhos”, mas ela fez uma lista apenas dos filmes que achou ‘bons’ e ‘excelentes’. Ou, como ela mesma diz: “ alguns desses títulos deixaram de ser registrados por não terem sido vistos ou por algum outro motivo”. Vive la difference e viva o cinema!
SERVIÇO:
SESSÃO MALDITA APRESENTA
Vanishing Point. Richard C. Sarafian.1971. cor.
13/12 (sábado) às 21:30 - CINE LÍBERO LUXARDO (CENTUR)
ENTRADA FRANCA!
Aniversário de 1 ano da APJCC
Mostra “Melhores do Ano”
De 17 a 21 de dezembro (quarta a domingo)
Sempre às 15:00 h
No Cine Líbero Luxardo (CENTUR)
ENTRADA FRANCA
17 - Rastros de Ódio de John Ford
18 - Kill Baby Kill de Mario Bava
19 - Contos da Lua Vaga de Kenji Mizoguchi
20 - Roma de Federico Fellini
21 - Um Dia Qualquer de Líbero Luxardo
Realização: APJCC
Apoio: Cine Líbero Luxardo e MIS

A cena mais angustiante deste ano nos cinemas de Belém pôde ser vista no celeste e sublime “The Brown Bunny”. Percebemos nos primeiros minutos a agonia do protagonista: Bud Clay percorre as ruas em sua van, à procura de seu amor. Entra e sai de esquinas, olha e volta. Bud Clay não sabe para onde vai, não encontra seu caminho, está perdido. Estamos perdidos com ele.
Acompanhamos Bud em uma viagem rumo à tristeza e solidão. Solidão impressa através da sempre câmera estática que o diretor Vicent Gallo utiliza. Bud em sua viagem encontra três mulheres: Violet, Rose e Lilly. A primeira toma conta de uma lojinha e logo é abandonada, Rose é uma prostituta que também é desprezada.

A única que ‘ganha’ a solidão e desilusão de Bud é Lilly. A câmera dificilmente pega o rosto de Bud quando ele a encontra. Não há espaço para a esperança nem no beijo dessas almas desgraçadas. Bud não está mais vivo, e o diretor recorre aos big-closes para enfatizar sua ‘morte’. Os planos longos também matam nossa alma, que parece estar no lugar de Bud, dentro da van.
Daisy é a figura que o puxa para o inferno. Vemos ela durante a obra em cortes rápidos, com a ausência do som. No fim de sua jornada, Bud tem uma revelação, sua Daisy o fez enxergar que o amor é possível apenas com a escrita do sofrimento. E só o que nos resta é abraçar junto com ele esta linda e dolorosa dádiva.
Nota do editor: A maior experiência que tive nos cinemas este ano. Sempre digo aos meus amigos, e repito aqui, que me sinto pequeno para escrever sobre certos filmes e diretores. “The Brown Bunny” fez este que vos falam se sentir pequeno, muito estúpido. Tudo já foi dito. Tudo já foi escrito. Dedico este post a uma leitora do blog , Rachel, e aos meus amigos Ronaldo Passarinho e Adolfo Gomes, este último foi quem me deu a oportunidade de ter contato com a obra pela primeira vez. Ah, não poderia deixar de agradecer um "louco", mas um louco querido, que fez de tudo para que minha experiência, na penosa sessão em que estive, tivesse um final feliz, obrigado Marco.