8/11/08
Cositas e LÃbero Luxardo

Este mês em Belém o cinema anda solto. IAP com “Aurora”. Cine Olympia com a mostra do português Manoel de Oliveira. A Sessão Maldita promete retornar com o novo do prolífico diretor japonês Takashi Miike, “Sukiyaki Western Django”. Temos a programação do Moviecom arte com o belíssimo “Império dos Sonhos”, de David Lynch, e o polêmico e soberbo “The Brown Bunny, de Vicent Gallo.
Estação das docas ‘luta’ com o novo Bressane. Um novo cineclube entra na cidade,“Cineclube Aliança Francesa” inaugura dia 19 deste mês com o ciclo do mestre Jean Renoir. Renoir merece essa justa homenagem do espaço que conta com o apoio da APJCC. Ò minha Belém….
Líbero Luxardo: o cinema era sua tara

“Um Dia Qualquer” é obra feita por um cineasta. Cineasta de verdade. Líbero Luxardo é nosso Ed Wood! A assertiva passa longe da ironia. Luxardo era um grande tarado. Tarado pela vida, tarado pelas emoções, tarado pelo cinema. Exalava paixão em seus fotogramas. Um crítico paraense deu seu parecer: “…ele não sabia filmar, não tinha noção de continuidade, não sabia usar a câmera…”.
Pouco interessa ao cinema se uma personagem entra no quadro fílmico com um broche e sai sem ele. O cinema não busca a linha da purificação. O cinema clama por sentimentos. Luxardo não buscou uma obra-prima, buscou seu coração, e o encontrou nos lindos travellings frontais de “Um Dia Qualquer”, encontrou na caminhada que o personagem central faz pelas ruas e pelos costumes de Belém.

Enxergamos Luxardo na belíssima seqüência da dança…o erotismo, os falsos-raccords,(desleixados ou não, propositais ou não), o amor, a inocência. Queria por um segundo ter conhecido a alma deste nobre cineasta. Ter apertado sua mão. Conheço pouco sobre ele e nem sei quais eram suas predileções na vida. Mas uma imagem não pára de me perturbar; os deuses do cinema lá em cima abrindo a porta e dizendo: “entra, Luxardo, seu trono o espera”.
criado por marklewis
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Comentário por Danilo — 9 09UTC novembro 09UTC 2008 @ 11:20
Nossaaaa! Quando muitos falam nada bem do diretor LÃbero, vem você e faz um elogio desses. Também gostei dos filmes dele. Acompanhei toda a homenagem dele essa semana. Emoção teu texto.
Comentário por Aerton Martins — 9 09UTC novembro 09UTC 2008 @ 13:06
Valeu Danilo. “Um Dia Qualquer” e “Marajó- Barreira do Mar” são obras lindas. Não entendo como Belém um dia teceu linhas desfavoráveis ao trabalho poético do cara. PossuÃa sensibilidade cinematográfica. Para o cinema, só basta isso.
Abraços.
Comentário por bianca — 2 02UTC novembro 02UTC 2009 @ 13:36
eu estou fazendo um trabalho sobre o libero e isso nao me ajudou em nada!!!