Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

25/11/08

Esse Barretão

Usamos em festivais mais de 70 milhões de incentivos fiscais que seria melhor empregado na produção de filmes, não podemos apoiar qualquer biboca”. É triste ver Luiz Carlos Barreto, um homem do cinema, dando essa infeliz declaração. De certa forma entendo. Ele quer dar dinheiro para seus Barretinhos torrarem.

Barretão é um homem do cinema, mas não faz cinema. Começo a engatinhar como cineclubista e enxergo a importância de festivais. Imaginem quantas mostras teríamos se filmes como “O Casamento de Romeu e Julieta”, “A Paixão de Jacobina” e “O Quatrilho” não tivessem sido feitos. Um dinheirão gasto em filmes nulos.

Mas também não posso mandar na grana que Barretão capta com a ajuda de sua produtora. Aqui na cidade das mangueiras a coisa já anda  capenga e ainda vem um calhorda  dizer que não podemos apoiar ‘biboca’. Barretão, transforme as bibocas em grandes castelos e permita que muita gente se acomode.

Não temos festivais sólidos porque não temos apoio. Barretão não apóia, ele não quer que os brasileiros conheçam a pluralidade cinematográfica, deseja apenas que “seus” filmes sejam apreciados. Exibir faz parte da cadeia produtiva do cinema. Barretão com sua experiência deveria saber disso. Santo de casa não faz milagre e ainda vomita excremento. Esse Barretão…

criado por marklewis    14:50 — Arquivado em: Sem categoria

19/11/08

Cadê os cinéfilos?

Fiquei decepcionado esta semana com uma frase de um confrade. Meu conhecido desabafou: “poxa, o Moviecom Arte está passando filmes que já saíram em DVD, filmes repetidos, isso tem cara de cineclubismo e não de Moviecom Arte, minha turma não vai ao cinema para ver filme de DVD”. Presumo que qualquer cinéfilo saiba que uma obra cinematográfica deve ser apreciada na telona. Até os filmes do Peter Jackson merecem essa chance. Tatea-se melhor a obra. Ainda bem que meu amigo confessa que ele não é cinéfilo, e muito menos sua "turma".

Eu daria tudo para ver o sublime “À Beira do Abismo”, do mestre Howard Hawks, na telona. Vi uns Hitchcock no cinema, graças ao finado Circuito Cinearte. O “ruim” “Vertigo” e o “estúpido” “Janela Indiscreta”, e os veria novamente na tela grande. Dizem por aí que eu reclamo muito. Existe coisa mais radical do que reclamar de um espaço que põe na telona “Impérios dos Sonhos” e “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”? Não existe. Chamo isso de síndrome da estupidez. Belém agora tem o que comemorar. Devagarinho o cinema tá batendo na porta, filmes bons  chegam, mas agora só falta uma coisa: os cinéfilos.

criado por marklewis    17:55 — Arquivado em: Sem categoria

11/11/08

Inland Empire

 

A “lost girl” está sentada em frente à tv. Suas lágrimas são a espinha dorsal da nova obra de David Lynch? Ou o provocador cineasta resolveu brincar e apenas expõe a trama, em blocos alineares, de uma atriz que entra em crise de consciência e liberta outras personalidades? Lynch sabe muito bem o que quer. Uma cena-chave evoca uma pista grandiosa: Nikki/Sue Blue, vivida pela ainda encantadora Laura Dern, some nos braços da “lost girl”.

47…………………………47……………………….47

"A Garotinha no supermercado…"

Liberdade e redenção para a verdadeira protagonista de “Inland Empire”? Não. Liberdade para um imaculado e corajoso cineasta.

47 ——————————————————-47….HOLLYWOOD

“AXXoN N….

 

Corredores escuros, cortinas avermelhadas, luzes em um pisca-pisca inebriante e uma camada sonora de arrepiar. Lynch escolheu a digital, mas uma digital ultrapassada: Sony PD-150, pois buscava determinada granulação. Lutou para que sua obra fosse exibida em salas de cinema com as indicações corretas. A textura da experiência muda a cada piscada.

 

SWEET…

Sentimos uma força nos primeiros segundos da obra: uma espécie de vitrola, em plano de detalhe, crava o primeiro ato: “a peça teatral radiofônica mais longa da história”. Hollywood é brutal e David Lynch ama esse brutalismo. No fim das contas, o autor de “A História Real” sabe que a “mandona” Hollywood deu possibilidades gigantescas aos meandros da sétima-arte, e uma delas chama-se “Inland Empire”.

“AXXoN N.

criado por marklewis    17:51 — Arquivado em: Sem categoria

8/11/08

Cositas e Líbero Luxardo

 

Este mês em Belém o cinema anda solto. IAP com “Aurora”. Cine Olympia com a mostra do português Manoel de Oliveira. A Sessão Maldita promete retornar com o novo do prolífico diretor japonês Takashi Miike, “Sukiyaki Western Django”. Temos a programação do Moviecom arte com o belíssimo “Império dos Sonhos”, de David Lynch, e o polêmico e soberbo “The Brown Bunny, de Vicent Gallo.

 

Estação das docas ‘luta’ com o novo Bressane. Um novo cineclube entra na cidade,“Cineclube Aliança Francesa” inaugura dia 19 deste mês com o ciclo do mestre Jean Renoir. Renoir merece essa justa homenagem do espaço que conta com o apoio da APJCC. Ò minha Belém….

 

 Líbero Luxardo: o cinema era sua tara

 

 

“Um Dia Qualquer” é obra feita por um cineasta. Cineasta de verdade. Líbero Luxardo é nosso Ed Wood! A assertiva passa longe da ironia. Luxardo era um grande tarado. Tarado pela vida, tarado pelas emoções, tarado pelo cinema. Exalava paixão em seus fotogramas. Um crítico paraense deu seu parecer: “…ele não sabia filmar, não tinha noção de continuidade, não sabia usar a câmera…”.

Pouco interessa ao cinema se uma personagem entra no quadro fílmico com um broche e sai sem ele. O cinema não busca a linha da purificação. O cinema clama por sentimentos. Luxardo não buscou uma obra-prima, buscou seu coração, e o encontrou nos lindos travellings frontais de “Um Dia Qualquer”, encontrou na caminhada que o personagem central faz pelas ruas e pelos costumes de Belém.

 

 

Enxergamos Luxardo na belíssima seqüência da dança…o erotismo, os falsos-raccords,(desleixados ou não, propositais ou não), o amor, a inocência. Queria por um segundo ter conhecido a alma deste nobre cineasta. Ter apertado sua mão. Conheço pouco sobre ele e nem sei quais eram suas predileções na vida. Mas uma imagem não pára de me perturbar;   os deuses do cinema lá em cima abrindo a porta e dizendo: “entra, Luxardo, seu trono o espera”.

 

 

 

criado por marklewis    11:53 — Arquivado em: Sem categoria

3/11/08

Cinema como cinema

Alegria
versão de 01/11/2008

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CENA 1 – INT/DIA- CORREDOR DO SHOPPING CASTANHEIRA

Duas pessoas se esbarram.

Pessoa 1- Olá, menina. Como andas?

Pessoa 2- Tudo bem. Corri pra cá a fim de ver o filme do MoviecomArte só que a sessão foi cancelada e não falaram o motivo. Para não perder a viagem decidi ver o “Linha de Passe”.

Pessoa 1- Olha! Combinei com uma amiga para ver o novo do Salles. Darei uma chance ao “Linha de Passe” também.

As duas pessoas se encaminham ao terceiro andar do estabelecimento.

CENA 2- INT/DIA ( OU NOITE?) - SALA DO CINEMA

O cinema está relativamente cheio. Silencioso.

Pessoa 1 (OFF)- Que droga é essa? Será que estou louco? Parece uma festa de abelha!

As personagens da obra “Linha de Passe” começam a mostrar suas personalidades só que o áudio do cinema emite um zumbido insuportável.

Pessoa 1- O que a mãe do menino disse?

Pessoa 3- Não sei. Também não entendi.

Corta para:

FLASHBACK

CENA 3- INT/DIA – CORREDOR DO SHOPPING CASTANHEIRA

Pessoa 2- Quando vais voltar a  ministrar oficina de cinema?

Pessoa 1- No momento tá difícil. Vamos ver se ano que vem planejo algo.

Pessoa 2 -  Vi um filme que tinha alguns contra-plongés e só me lembrava da sua oficina….os enquadramentos, fade-in, cortina, travelling….Tenho saudades. O cinema como cinema.

 
Pessoa 1 (OFF) - O cinema como cinema…

CENA 4 - INT/NOITE- QUARTO DA PESSOA 1

Pessoa 1 (OFF) -  Não entendo como um espaço lança tamanha falta de respeito para o público. O que o espaço Moviecom 1 fez com o espectador que assistia “Linha de Passe” foi papagaiada e zombaria! Mas o dia valeu.

CLOSE-UP da Pessoa 1…

 
… Um sorrisão rasga seu rosto.

FADE-OUT

criado por marklewis    11:32 — Arquivado em: Sem categoria
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