23/8/08
Descansem em Paz

Ronaldo Passarinho, Marco Moreira e o dono deste blog, se encontraram no comecinho deste ano, para um papo descontraído. É claro que o pilar do encontro cairia em uma paixão comum: o cinema. Tudo muito alegre. Mas algumas palavras me pegaram de surpresa e vieram do Moreira: “o contrato do Moviecom com o Cinearte termina em agosto e provavelmente eles não renovarão, queria que alguém arrendasse o local para fazer um projeto alternativo”. Pude entender como é difícil manter um espaço de exibição. Muitos distribuidores fazem jogo duro. O que resta para o exibidor é dançar conforme a música. Ou a grana aparece ou niente! Moreira naquele dia só nos avisou que o cemitério de cinemas de rua, em Belém, iria cavar mais três covas em agosto. No último dia 21 as portas se fecharam. As palavras de meu confrade tomaram corpo. Espero que alguma alma caridosa atenda ao desejo que não é só da família Moreira, mas também, do público paraense.

Às vezes reclamo, mas sinto muita, mas muita falta mesmo desses espaços de rua. Sinto falta das filas que tomavam conta das calçadas. Sinto falta dos dias inteiros “perdidos” no Circuito Cinearte e no Severiano Ribeiro, que resultaram em três reprovações escolares de minha vida. Os corredores, o cheiro da pipoca (até o cheiro da pipoca dos Multiplex é diferente), as matinês dos domingos nos Cinemas 1, 2 e 3. Charles Chaplin, Ingmar Bergman e Alfred Hitchcock. Posso dizer que os espaços foram como pais para mim. Deram-me alento. Deram-me vida. Deram-me sonhos. Aproveito para agradecer ao Moreira e sua família. Por terem dado não só a mim, mas ao público, um pouco de vida e de esperança. Não cheguei a conhecer Alexandrino Moreira, mas foi seu amor pelo cinema e sua adorável loucura que deram a Belém esta oportunidade, a de desbravar um mundo infinito e maravilhoso. Cinemas 1, 2 e 3, descansem em paz.
criado por marklewis
12:23 — Arquivado em: 

Comentário por Blimbou — 23 23UTC agosto 23UTC 2008 @ 22:35
Po Mark,
só de lembrar que a gente perdeu a exibição do Blade Runner nos 75 anos da warner no Cinearte por causa da divulgação errada de “O liberal” , me dói na alma até hoje!
Não estamos perdendo somente os cinemas, como também as locadoras, e restringindo cada vez mais possibilidade de se ter acesso aos filmes alternativos. Viver de download nem sempre é possÃvel, até hoje não consegui as legendas para Umberto D como exemplo. Aposto que a cinema tinha esse filme no acervo.
Falou cara!
Comentário por Rachel — 24 24UTC agosto 24UTC 2008 @ 2:41
Eu sou de São Paulo e moro em Belém ha pouco mais de 4 anos. Quando eu cheguei por aqui, ja existiam os Moviecom e só frequentava eles. Em 2006 eu comecei a namorar um carinha que adora cinema. Aà ele me convidou para assistir “O Jardineiro Fiel” em uma das salas ali da São Pedro. Alem do filme ser ótimo, adorei os cinemas e passavamos a frequentar mais la e tb os cinemas Nazaré do que os Moviecom. Esses ultimos dias, eu e ele temos nos falando bastante e ele comentou comigo sobre o fechamento dessas salas e de quando em 1999, durante essa mostra que a Warner promoveu, ele realizou um sonho ao assistir Blade Runner no cinema. Lamento ter ficado tão longe disso durante tanto tempo…
Comentário por Aerton — 25 25UTC agosto 25UTC 2008 @ 19:27
Rachel,
O Circuito Cinearte e Severiano Ribeiro já fazem muita falta. Frequento cinemas de shopping, mas nada se compara com a loucura, positiva, que vivi nos cinemas de rua. Abraços.
Blimbou,
Perdi alguns filmes da mostra Warner, em 1999. Posso não aguentar mais ver “Blade Runner”, mas à época eu queria ter visto o filme na telona, e muito. E nem quero pensar que perdi também “Meu Ódio Será Tua Herança”…Mas assisti “Bonnie e Clyde” e “Juventude Transviada”, de brinde ainda veio “O Exorcista”. Bons tempos.. Abraços.
Comentário por Miguel Haoni — 25 25UTC agosto 25UTC 2008 @ 20:35
Cara lembrei que quando eu “estudei” no Deodoro de Mendonça eu ia pro cinema todo dia. assisti várias vezes um monte de porcaria só pra ficar dentro do cinema. Era a sala que importava, o filme poderia ser qualquer um. Pra mim, a imagem em 35 mm SEMPRE foi a melhor coisa a ser observada (um pôr-do-sol melhora ao ser filmado).
Vejo com tristeza esses últimos acontecimentos. Valeu pelo texto, moleque.
LA LUCHA SIEGUE!
Comentário por Aerton — 26 26UTC agosto 26UTC 2008 @ 10:04
Miguel,
Acho que todo cinéfilo que se preze já aguentou muita bomba só para poder sentir o cheirinho do cinema. Quer alguns tÃtulos que o Mark teve que aturar? Lá vai: “Erotique”, “Fuga de Absolon”, “O Padre”, “O Cliente”, “Nell”, “Fuga de Los Angeles” e por aà vai..rs.
Abraços.