19/8/08
O Escafandro e a Borboleta

Escafandro= Roupa de borracha e ferro usada por mergulhadores para trabalhos no fundo da água.
Borboleta= insetos da ordem Lepidoptera.
Jean-Dominique é redator da revista Elle. Não tem sucesso com as mulheres, adora comer bem, ama seus filhos e gosta de barbear o pai. Passeando com seu filho mais velho na estrada, o protagonista tem um ataque, ou melhor, um AVC, mais precisamente a síndrome de Locked-in. Essa paralisia rara faz com que Jean-Do – como os mais íntimos lhe chamam- mexa somente uma pálpebra.
Vemos o protagonista, ao longo de todo o filme, “preso” ao seu escafandro. A abertura é até promissora, quase quinze minutos de agonia. O quadro fica recheado de borrões, pessoas distorcidas, movimentos que o homem-piscadela enxerga. O filme emprega esse tom em primeira pessoa. Um mundo colorido e cheio de sonhos nos é dado, através do artifício da câmera subjetiva.
O personagem "sofredor" rouba nosso olhar. Um esquema é feito para que a comunicação de Jean-Do, com o mundo, seja possível: ele pisca no exato momento em que a letra para formar sua palavra é dita pela médica. Daqui por diante louvarei o texto em primeira pessoa. Chega de brincadeiras, meu tempo é precioso. E fico irritado fácil. Jean-Do me enganou a cada minuto que seu discurso é cravado na tela. Pela primeira vez não posso culpar o diretor pela ineficácia de um filme. Culpo o personagem. Jean-Do é “maior” que o filme e Julian Schnabel, diretor de “O Escafandro e a Borboleta”.
Jean Do sonegou-me duas horas de entretenimento. Entretenimento que parou em uma árvore podre, sem folhas, aonde a tal borboleta do título, nem chegou a levantar vôo. Não li o livro “Le Scaphandre et le Papillon”. Tenho para mim que deve ser incrível ler a experiência, muito diferente de ter ‘visto’. Não sou alérgico a trucagens metafóricas, e é até indelicadeza e redundância de minha parte, dizer que o filme está cheio delas. Posso concluir que escafandro foi meu corpo inquieto, minha vista, pesada e fria, e a borboleta foi minha leveza e imensa alegria, ao levantar da poltrona, após ter sido massacrado por duas horas de pura chatice.
criado por marklewis
19:33 — Arquivado em: 

Comentário por Mateus Moura — 20 20UTC agosto 20UTC 2008 @ 2:19
“De seu corpo desperte paralisado, e você vire uma presa viva de vermes, ratos e baratas. Isto vai acontecer se você não assistir Encarnação do demônio.” (Zé do Caixão jogando praga)
esse recado faz parte da minha campanha “Traga o Zé de qualquer jeito”.
Comentário por Aerton — 20 20UTC agosto 20UTC 2008 @ 10:16
Mateus,
Se o novo Mojica não aparecer em Belém vai rolar estresse. No Moviecom castanheira eles tem na parece o cartaz de “Encarnação do Demônio”.O espaço tem um péssimo hábito de encher a parede de filmes que não dão as caras. Aproveito para fazer o apelo. É lindo pregar milhares e milhares de cartazes. Fica tudo colorido. Mas não enganem o público, pelo amor de nosso paizinho. Vou aderir a tua campanha, Mateus : “TRAGA O ZÉ DE QUALQUER JEITO”.
Abração.
Comentário por Rachel — 20 20UTC agosto 20UTC 2008 @ 17:23
Ah Mark, as vezes tb vc tem que ter um pouquinho de paciencia né? Rs!!! Gostei do filme, mas tb gostei do seu comentário… E o Zé do Caixão? Meu ex-namorado praticamente me obrigava a ver os filmes dele e não é que são bons? Nossa, admito meu erro: o erro de ter julgado sem conhecer… Mas posso ser perdoada não posso? Beijos!
Comentário por Aerton — 20 20UTC agosto 20UTC 2008 @ 19:29
Valeu, grande Rachel. Estás perdoada. E tenho certeza que o novo do Mojica deve ser uma paulada. Estou louco para ver a obra. Amo essa figura, ou melhor, esse sublime cineasta, que infelizmente é avacalhado pela maioria. Beijos, menina. Ah, tenho muita paciência, sim. rs.
Comentário por Rachel — 22 22UTC agosto 22UTC 2008 @ 16:56
Obrigada Mark! Sei que o dono do blog é vc, mas hoje eu fiquei muito triste ao saber que as salas de cinema do antigo circuito cinearte fecharam as suas portas definitivamente. Fiquei sabendo por uma reportagem no jornal e hoje tive a confirmação quando fui procurar no site da franquia que alugava aquelas salas, a programação das mesmas ja não se encontrava la. Fiquei triste sabe, pq adoro cinema… Principalmentem esses de rua, que eu prefiro mais do que os ditos multiplex… Enfim, tudo isso era pra sugerir um post sobre esse assunto no seu blog… Mas é aquela historia: quem manda é vc!!! Beijos!
Comentário por Aerton Martins — 23 23UTC agosto 23UTC 2008 @ 11:31
Rachel,
Que coincidência, justamente é esse o tema do meu próximo post. Também fiquei triste. Ah, e não fique acanhada em dar sugestões. A casa é sua também.
Abraços.