25/5/08
Across the High School Musical

Acho que estou ficando rabugento demais ou ultimamente ando muito preocupado se meu suco de caju vai ficar geladinho. A única coisa em que conseguia pensar ao ver a obra “Across the Universe” era em filmes como “Footloose” e “Embalos de Sábado à Noite” e no projeto para crianças “High School Musical”. Pensava nos dois primeiros com um grande carinho, com sentimento de um amor perdido. A estrutura calhorda da obra dirigida pela cineasta Julie Taymor é tão vazia, vil, nociva e suja, que faz com que o filme estrelado pelo então jovenzinho Kevin Bacon figure entre os melhores filmes musicais - ou filmes sobre música, ou cine-biografia musical, ou filmes sobre grupos musicais, ou filmes de cantores - de todos os tempos. Não interessa o rótulo. Quando a “canção” é desafinada tudo vira tagarelice de fofoqueira.

“The Doors”, “Sid e Nancy- O Amor Mata”, “Magical Mystery Tour”, “Help”, “Hair”, “Across The Universe” e “Tommy” são filmes melhores quando não vistos. A diferença entre “Across the Universe” e os outros é simples, ele não tenta ser nada, enquanto os outros, pelo menos, tentam. Em "Across the Universe" não há uma narrativa, não há uma construção dramática, não há unidades fincadas no terreno fílmico. A obra não tem compromisso em caminhar para nenhum lugar. Nem para o caminho de um musical, gênero que supostamente adota. Pois até em musical a câmera rege a alma do filme. Nem com vídeo clip há uma sintonia, pois até nesta ‘fração’ existe uma gota de honestidade para com suas musiquetas.

Contracultura, Jimi Hendrix, Janis Joplin, sobrou até pro coitado do Joe Cocker. Diálogos que usam pedaços de canções, imagens pinturescas, cores “vibrantes”, superposições em cima de superposições em cima de superposições. Ufa!. Fica difícil escolher a seqüência mais espúria, qual o artifício mais indolente. E eu pensava que “High School Musical” era a coisa mais nojenta que o musical atual podia oferecer. Vida longa ao grupo produzido pela “Disney Channel”. “Together, together, together, everyone!
Together, together, come on, lets have some fun!
criado por marklewis
12:06 — Arquivado em: 














Sexta-feira, dia de estréias na grande empresa que comanda o circuito comercial em Belém. O que temos no cardápio? Filmes nacionais, saltadores do tempo, filmes nacionais, comédia romântica, filmes nacionais, homens de ferro. Que coisa bonita, é filme brasileiro pra dar e vender. Uma pena ser tudo farinha do mesmo saco, o saco da televisão. O Cine Estação, pela primeira vez no ano, começa suas atividades no começo do mês. “Across The Universe” e “A Casa de Alice” serão os filmes da vez, neste fim de semana. Fico contente em ver o espaço sendo realmente utilizado. Os belenenses só querem isso, independente do que irá passar. No Cine Líbero Luxardo a mostra Cassavetes está terminando. Ainda dá tempo de pegar alguma obra deste grande cineasta. Corram! Depois de ter feito os cinéfilos suspirarem com o grande Mizoguchi, o Cine-Olympia volta com sua programação normal, o espaço exibe o filme “O Amor é Mudo”, não preciso dizer qual a nacionalidade da obra, ou preciso? Façam suas apostas e boa sorte.
Amo Sex Pistols. Estaria mentindo se dissesse que não. Fico apenas com a garganta entalada com o endeusamento do babaca e nulo Sid Vicious. Ele não movia uma palha na banda. Só corria pelo caminho das estripulias, das meninices. Foi, e ainda é a maior enganação da música. É dose ouvir apenas o nome da banda liderada por Johnny Rotten, sendo que o famoso “movimento” legou-nos lindos filhos. Buzzcocks foi um deles. Em seu álbum de estréia, “Another Music In A Different Kitchen”, Pete Shelley e sua turma apontavam para um espaço mais melódico, mais encorpado, quebraram a ‘dureza’ e sujeira dos três acordes e deram ao ‘Punk’ um ar sofisticado, um embelezamento que os Ramones e os Pistols não tinham. Buzzcocks merecia/merece mais respeito.
Homem da melodia. Homem dos sintetizadores. Em “Talking Book”, Stevie Wonder entra mais ainda pelo caminho político em suas letras, clara influência de Dylan, mas não deixa de lado sua vibração musical. Voz que me perturba e me massacra. Quem não se desmorona com a canção “You And I”, bom sujeito não é.
Dentro do castelo chamado “Rock Progressivo”, existem os artistas sublimes, que souberam tirar proveito, com honestidade e talento, da convenção musical, que fora ‘inventada’ na virada dos anos 60 para os anos 70, e existem os ‘maneiristas’, os ladrões aproveitadores. King Crimson faz parte da turma talentosa, apareceu pela primeira vez abrindo o célebre show dos Rolling Stones, “The Stones in the Park”- dois dias após a morte do “diabo louro”, Brian Jones- e não seria exagero dizer que os ‘loucos’ “roubaram” o show, com mais de meio milhão de pessoas. Presenciando a inaudita mistura de jazz, rock, folk e musica erudita. O álbum “In The Court of the Crimson King” ainda me faz sorrir, e muito.
O ‘Oasis’ foi e sempre será acusada como a banda mais chupadora do Rock n’ Roll. De Beatles a The Who, de Sex pistols a Pink Floyd, ninguém escapou das mãos gatunas dos arruaceiros irmãos Gallagher. Num mundo moderninho que se instaura, nas musiquetas eletrônicas, nas bandinhas diluídas, o Rock anda tomando outro rumo. Apesar das chupações, o rock grita feliz em “The MasterPlan”. Deus abençoe os irmãos.
Os Rolling Stones, junto com os Beatles e The Who, fazem parte da santíssima trindade do Rock n’ Roll. Questionar essa turma é dar murro em ponta de faca, é virar às costas para os artistas que deram viço a um gênero até então pobrezinho. “Betwenn the Buttons” transpira e atira para esse negócio chamado Rock n’ Roll.
