Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

22/4/08

De Joelhos…

Depois da paulada que levei, ao assistir o primeiro Hitchcock – mago que me deu o verdadeiro olhar sobre o cinema- fui cair em cima dos braços de outro mago, Orson Welles. Lembro-me da primeira obra que vi deste menino precoce, “A Marca da Maldade”. Foi na casa de um amigo que fui tragado pelas lindas distorções, pelos planos inclinados, pelos intermináveis e grandiosos travellings… Entre a gritaria de meu amigo durante o filme, que não era pouca, fui aos poucos percebendo a construção elegante de um dos grandes construtores do cinema. Mas foi em outra obra de Welles, que tive a confirmação de que o rapaz não era um blefe. Caio em lugar comum, admito, mas não posso refugar o fato de que fiquei “exaurido”, depois de tê-la assistido. À época, menino bobo que eu era, e que matava aulas para entrar em qualquer sala de cinema, só para sentir o cheirinho da ‘sala escura’, não sabia o que era “grande-angular”. E foi com o auxílio de uma “grande-angular”, que a cena aí em cima foi realizada. Toda a grandeza do personagem Charles Fostes Kane, feito pelo próprio Welles, está em pouquíssimos segundos na tela. Kane toma conta de sua grandeza, do espectador, de sua própria alma, do cinema… As “lentes” fizeram meu amor pelo cinema crescer ainda mais. Minha memória às vezes me apunhala, não sei ao certo se foi Jacques Rivette, o diretor francês, que disse “a questão não é amar o cinema, mas sim o que você vai fazer deste amor”. Rivette, ou a quem tem os ‘direitos’ da frase, permita-me a ingratidão… Vendo esta cena, eu fiz pouco…apenas ajoelhei-me.

 

criado por marklewis    21:22 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Fernando Carvalho — 23 23UTC abril 23UTC 2008 @ 0:31

    Pelo menos uma vantagem - se é que se pode dizer isso - houve em assistir ao lado do trio-elétrico mineiro, já que não dava pra ouvir as falas, tu pôde prestar atenção unicamente à imagética do louco Welles, rsrsrsrs

  2. Comentário por Aerton Martins — 23 23UTC abril 23UTC 2008 @ 9:51

    Que maldade, Fernando. Apesar dos “pesares”, meu caro, sinto falta daquela época. E o “trio-elétrico mineiro” faz falta. Espero que um raio não parta minha cabeça, por eu ter dito isso.

    Abraços.

  3. Comentário por Miguel Haoni — 29 29UTC abril 29UTC 2008 @ 20:49

    falando em assistir de joelhos…
    reestréia o Cinema na Casa com Rastros de Ódio
    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=46934585

    Demorou mas chegou!

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