Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

15/4/08

O Horror Está no Mau Cinema

 Muita gente, e bota muita nisso, ergue o péssimo e estúpido costume, de associar os ‘filmes B’ aos filmes ‘Trash’, ‘filmes sanguinolentos’, filmes de baixíssima qualidade e por aí vai. “Filmes B” são filmes realizados com baixo orçamento. A expressão foi inventada quando o cinema passou por um sufoco, na década de 30.

Para chamar o público novamente oferecia-se uma ‘sessão dupla’, um filme de baixo orçamento, ‘filme B’, e depois, um filme com orçamento maior, ‘filme A’. É claro que existia uma convenção nesse tipo de ‘jogo’ com o público. Os ‘filmes B’ tinham que ser leves, a fim de não tirar o pique da platéia para o próximo… Os gêneros que se adaptaram fácil ao ‘paladar’ dos espectadores foram o terror, ficção científica, western e os filmes policiais.

Existem filmes sanguinolentos que não são ‘filmes B’ e estão na disputa pela medalha da ‘mediocridade-mór’ da sétima-arte. Embrulham não só o estômago, mas a alma também. “O Gladiador”, “Coração Valente” e ”Paixão de Cristo” são exemplos da violência ‘escondida’ e imunda.

Obras realizadas com muita grana no bolso, mas que valem menos que uma ‘canção’ do Tiririca. Mel Gibson, este sim, é um senhor ‘Trash’. É um ineficiente diretor, um discípulo da “história” que enoja qualquer arremedo de cineasta. Isto sim, meus caros, é um exemplo de ‘Trash’. Onde a ‘intenção’ foi, e sempre será- no caso de Gibson- mais eficaz que a ‘execução’. Se eu fosse definir o termo ‘Trash’, diria que “é um filme onde a ‘lambança’ é tão grande que não me permite enxergar a alma do cineasta, seu viço"

Eu enxergo Lucio Fulci em suas obras, assim como Dario Argento, Mario Bava, Samuel Fuller, Edgar G. Ulmer, Orson Welles e Tsai Ming-Liang. Agora, fico tonto quando vejo os filmes de David Lean, Milos Forman, Peter Jackson, Ang Lee, Cecil B. DeMille e Michael Curtiz. Cresci vendo os épicos de Cecil B. DeMille, mas só depois de abandonar a calça curta que fui perceber o quão trash eram/são seus filmes. Com a cabecinha mais crescidinha, percebi também, o trash da filmografia do grande pensador de cinema François Truffaut. Mas esse camarada está perdoado, se seus filmes não traduzem seu amor para com o cinema, só ensaiam, pelo menos eles servem para impressionar uma possível conquista amorosa, numa conversar de bar, na esquina, nas festas… Parafraseando o diretor Júlio Bressane; “o horror não está no horror”, e eu complemento; “está no mau cinema e nas pessoas”.

 

 

 

criado por marklewis    11:44 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Marina k — 15 15UTC abril 15UTC 2008 @ 17:56

    Coitadinhos, Aerton…Tenho até pena de alguns que você avacalha, he. Parabéns pelo blog e pelas mostras. Reclamas, mas trabalhas pelo cinema muitooooo. Beijos.

  2. Comentário por Mateus — 17 17UTC abril 17UTC 2008 @ 0:22

    o horror nao esta no horror! =)

    um das minha frases favoritas.. até mandei fazer uma camisa =b

    o horror é lindo de morrer!

  3. Comentário por Aerton — 18 18UTC abril 18UTC 2008 @ 12:27

    Alguns cineastas merecem uma grande cutucada, Marina. Outros merecem apenas um puxão de orelha. Truffaut mora no meu coração, é como um amigo, que às vezes também merece algumas palavras duras. Obrigadão, faço esse trabalho para o cinema e para vocês.
    Grande abraço. Apareça e apareça.

    É, Mateus…O bom ‘horror’ é lindo!

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