Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

4/4/08

Tempo da Monotonia

          É muito irônico. Muito mesmo. No mês de abril, Belém terá um cardápio variado de filmes. Faz tempo que os belenenses não sabem o que é ‘pluralidade’. Mês da mentira, mas na cidade, tudo é verdade! Quando a cópia de algum Michelangelo Antonioni, ou de algum Ingmar Bergman, chega aos espaços ditos alternativos, ou quando uma mostra John Cassavetes está por vir, não é salutar imaginarmos que tal atitude é um ‘presente’, ou que é sinal de Deus. Não mesmo! Os espaços não fazem mais do que suas obrigações. Agora, quando um Moviecom, que demonstra uma postura de “dragão dos bolsos”- natural, se eu fosse empresário também faria o mesmo-, traz a cidade “Não Estou Lá”, obra com cara de “alternativo”, que narra à história do cantor Bob Dylan, isso sim é um ‘presente’, uma vibração de algo ‘superior’. Levando em conta que o espaço não tem obrigação com cinéfilo nenhum e nem em propagar cultura nenhuma. Agora, é bom corrermos, porque o horário de exibição que foi imposto mostra, que o ‘presente’, fugirá rapidinho.

 Em algumas salas da internet, já podemos ver a divulgação dos filmes que ‘serão’ exibidos este mês, no Cine-Estação. Nos dias 19, 20, 26 e 27, o chinês “Em Busca da Vida”, do muito comentado Jia Zhang-ke e o nacional “O Homem que Virou Suco”, obra famosa de João Batista de Andrade, produzida na virada dos anos 70 para os 80, e não em 60 como alguns divulgam, alternarão horários. Até o presente momento, o site da “Estação das Docas” ainda não disponibilizou a programação de abril, sabemos que a programação do mês, no Cine-Estação, começa mesmo no fim do mês, mas um tantinho de tato com o público não seria pedir demais.

O ‘Cine Líbero Luxardo’, do Centur, exibe a recente e tão falada obra de Gus Van Sant, “Paranoid Park”, na sessão platéia, às 19hs e 30 min. A obra causou grande comoção nos festivais do Rio e São Paulo. Gus Van Sant começou sua carreira ‘analisando’ comportamentos juvenis. Hoje, ele pisa no mesmo terreno, só que o fetiche, é mais deliberado, mais “elaborado”. As demarcações do cineasta são “claras” e nos faz pensar se o cinema do futuro- ou moderno, ou pós-moderno, ou qualquer termo ‘vazio’ que queiramos empregar-, realmente terá que passar, por uma “reordenação”, por um esfacelamento. Van Sant tenta ao máximo se afastar da ‘narrativa’- “a árdua missão de contar uma história”-, o que lhe agrada, apenas, é o “estado” por qual passam suas personagens. A cronologia embaralhada é servida por uma lotação de afetações “chiques”; seqüências em slow-motion, em super-8, falsas continuidades, cenas que se repetem em ecos moribundos…É preciso ver a obra, uma questão crucial para o cinema, temos que avaliar onde os cineastas se ‘encontram’, onde eles se ‘perdem’. Minha ‘dessensibilidade’ não me permitiu sentir nada em “Paraniod Park”. Talvez vocês sintam esta obra, que sinaliza para um tempo novo, tempo da monotonia.

 

criado por marklewis    12:15 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Ricardo — 22 22UTC julho 22UTC 2008 @ 15:49

    Olá,

    Tudo bem?

    Você gostaria de assistir ao primeiro filme, Mala Noche, do Gus Van Sant no cinema? O procedimento é simples: cadastre-se http://www.moviemobz.com e inicia a mobilização.

    Você pode escolher a sala de cinema dentre 160 digitais no Brasil e ainda convidar seus amigos.

    Confira o perfil com trailer de Mala Noche: http://www.moviemobz.com/film/profile/mid/295

    Visitem!

    Um abraço.

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