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Dia 05/04 terá ‘Sessão Maldita’. É dia de celebrarmos, de mãos dadas, um dos grandes nomes do cinema de horror italiano, ou melhor, do mundo. Existem diretores que são muito falados, mas pouco vistos, como o grande Jean Luc-Godard e o sóbrio Alain Resnais, outros são muito falados e muito vistos, como o enganador David Lean, o trapaceiro Victor Fleming e o ‘quase diretor’, por muito ele não conseguiu, John Huston.
Lucio Fulci faz parte de uma turma de cineastas que não são nada falados, nada vistos, e quando vistos, são merecedores, apenas, de caçoadas. Fulci faz parte de uma turma prodigiosa, da Itália, de cineastas de horror, junto com Mario Bava e Dario Argento.
Apreciar suas obras é ter na cabeça, que o processo de fazer, e de responder ao cinema, passa pela “compreensão”, não a compreensão obtusa, a que busca entendimentos pela ‘vala da verossimilhança’- ainda mais se tratando de uma arte que, ao longo de seus mais de cem anos, apenas “romantizou”, “enganou”, “usurpou”-, mas sim àquela que necessita apenas de uma verdade: “o sentir”.
O sublime Robert Bresson, outro que é muito falado e pouco visto, revela, uma característica marcante, em suas “vitrines exauridas”, suas personagens são tragadas por uma energia espiritual tão forte, que com um simples gesto, elas parecem que descerão, em direção à platéia, para nos pedir ajuda. A energia espiritual de Fulci está resumida em sua sublime crença fílmica, 'nada' mais.
Serviço: Cine Líbero Luxardo do Centur exibe “The Beyond”, de Lucio Fulci, na Sessão Maldita. Dia 05/04. Sábado, às 21h 30 min. Sessão única. Entrada Franca.

criado por Aerton Martins
20:44:17
Tenho um amigo, que não é afeito ao dito “cinema de arte”, termo empregado de maneira errônea por muitos “sábios”, mas aqui o uso para fins de ‘reconhecimento’. Sempre em um bate papo sobre cinema, meu companheiro costuma jogar sua cota de perdigotos em meu rosto: “és louco, Godard não presta, Antonioni só serve para dormir, não sei como vocês agüentam esse tipo de filme, quero mesmo é diversão”.
Se eu fosse reproduzir exatamente, palavra por palavra, o que ele profere, ou melhor, o que ele grita, a página reclamaria de tanto palavrão. Mesmo assim, com tantas diferenças, é um amigão do peito.
Um assunto que está repercutindo muito, essa semana, e que está dando o que falar em revistas, jornais e blogs, é a frase que Marcelo Madureira, integrante do “Casseta e Planeta”, falou em um programa, o Cine-Odeon, a respeito do cineasta Glauber Rocha. Madureira atirou: “Glauber Rocha é uma merda”. Madureira, acostumado no meio humorístico, sabia que as viúvas iriam aparecer e que a terra do axé tremeria com “tamanha” audácia.
O humorista levanta uma discussão importantíssima, com sua declaração. Quando se fala em Glauber Rocha, eu, francamente, com raras exceções, não sei quem gosta de sua obra e quem não gosta. Eu amo os filmes ‘mal editados’ do Glauber- Lucio Fulci também era ‘grosso’ em sua edição, seco, mas fico em outra ‘dimensão’ quando vejo suas maravilhosas obras-, sinto seu cinema, não necessariamente preciso entender, articular.
Mas nem por isso, forçarei minha mãe a gostar da obra do baiano, só porque eu o acho um dos mestres do cinema nacional- minha mãe acha Mario Bava um saco, e foi dela que herdei meu apreço por filmes de terror, quando menor. Não, não matarei minha mãe! Até hoje, fico assustado com a belíssima abertura de “Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, com o personagem surgindo do extra-campo. Madureira abre uma ferida, e a fecha, logo em seguida.
Quem não gosta da obra de Glauber Rocha, fale agora ou cale-se para sempre! O Cinema merece essa honestidade. Para aquele meu amigo que eu citei no começo do texto, e para Madureira, deixo uma pequena frase, de um iluminista que aporrinhava minha paciência na 5º série, mas que me ensinou uma coisinha: “Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo”. Obrigado, Voltaire.

criado por Aerton Martins
13:14:40
• Dia 08 de abril, às 18h30min, o cine-clube da casa da linguagem retomará suas atividades. Contará com a colaboração do ‘Movimento APJCC’. A celebração do cinema será feita em cima de um dos grandes artistas do cinema, John Ford, com a obra-prima “Rastros De Ódio”, e nas semanas posteriores, com outros filmes do cineasta. Nada mais lúcido e justo, iniciar com um dos grandes do écran. A sessão contará com um debate, feito por este que vos falam, após a sessão. Agradeço desde já, os esforços de todos que estão contribuindo para que isso aconteça.
O cinema e os cinéfilos agradecem. Aproveitando o momento, mais do que oportuno, queria indicar um lindo e novíssimo blog sobre a sétima arte. Primeiro foi o Ronaldo Passarinho, em seu blog, que nos legou uma linda análise, sobretudo da mise-en-scène, da grande obra “Donos da Noite”. E é em cima disso, que o blog “Cinema: A Arte da Mise-en-scène”, do confrade Breno Yared, falará, ou melhor, mostrará. Conheço muito critico que não sabe o significado do termo. Na verdade, tem muito critico que não sabe muita coisa, sobre a arte da qual fala. Como resmungava Truffaut, e com razão, “o critico se deleita na ignorância sobre a técnica e a história do cinema”.
Só para fins de registro, tendo um desses papos de ocasião sobre cinema, com um critico, disse ao meu interlocutor, que um de meus pilares cinematográficos estaria fincado nas idéias da famosa turma da “Cahiers du Cinéma”, que nos mostraram a verdadeira essência do cinema, principalmente aquelas linhas marcadas sob a pena do grande Truffaut. Senti um frio na espinha com o comentário do bom e doce cavalheiro: “ah, sim, então você segue os mandamentos da Dzga Vertov”. Lambança pouca é bobagem!
É comum, ver nos créditos iniciais de muitos filmes franceses, o termo “mise-en-scène” nos sendo mostrado junto com o nome do diretor da obra. Mas, a mise-en-scène, vai além de uma pessoa, friamente, comandando uma equipe, com direção burocrática, robótica. Articular os elementos no quadro fílmico é uma preocupação do cinema. Se o diretor não tem essa sensibilidade, não é cinema, é tudo, menos cinema. Por isso que Peter Jackson não é cineasta, assim como Ridley Scott, Tim Burton, Victor Fleming e outros patetas incensados. Apenas, Meros brincalhões.
Quem tiver vontade de saber mais um pouco sobre essa arte esquecida,é só dar uma espiadela aí do lado, no ‘meus links’. Nunca é tarde para se ajoelhar.

criado por Aerton Martins
23:28:05
Ufa! “Onde os Fracos Não Têm Vez” chega a Belém. Corram. Obra para se ver na telona. A subversão dos irmãos fez barulho até no Oscar, todo mundo sabe.
Foi um fato estranho, mas necessário, ver um filme que desobedece a estrutura dramática sendo coroado com o prêmio principal. Cinema, de verdade, na festa. Só falta o PTA. Mas aí, já é exigir demais do nosso sofrido e capenga circuito comercial.
Outra boa noticia é que a ‘Sessão Maldita’ voltará. Ela contará com a colaboração do “Movimento APJCC” (Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema), união de três grupos cineclubistas da cidade.
“Fellinianos”, grupo formado pelo editor deste blog, Aerton, e Fábia Martins, que colaborou com algumas ‘malditas ‘de 2007, o “Trashformação”, grupo fundado por Max Andreone, que exibia filmes cult’s no Cefet, e o Cine-Uepa, fundado pelos alunos de letras, Miguel Haoni e Mateus Moura, que desde o ano passado exibem clássicos no campus I, da UEPA.
A ‘Sessão Maldita’ inicia suas atividades de 2008, com a obra-prima “Forty Guns”, do contrabandista americano Samuel Fuller. Os belenenses terão a oportunidade de assistir uma das grandes obras do cinema. Fuller trabalhava para a indústria, mas trazia, como todo sublime “contrabandista”, arte para o meio.
Os “contrabandistas” dentro do sistema erigiram uma estética própria, seja por falta de recursos, que os obrigavam a usar de criatividade, ou pela ‘corda’ que os enforcavam. “Forty Guns” evoca a arte. Nada melhor do que senti-la, nesta sessão que abre a maldita do ano.
E que não me venham com choro depois. O ‘Movimento’ APJCC ainda trará mais novidades esse ano. É só entrar no link do blog da Associação, que está entre ‘meus links’, no canto da tela.
Serviço: Cine Líbero Luxardo do Centur exibe “Forty Guns”, na primeira Sessão Maldita de 2008. Dia 22 de março, às 21hs e meia. Sábado. Sessão única. Entrada franca.

criado por Aerton Martins
13:38:27
Nem “Sangue Negro” e nem “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Ainda tem gente que pensa na possibilidade dos filmes chegarem à terrinha. Façam suas rezas, cinéfilos. Eu já parei. Meus joelhos começaram a avermelhar.
Vocês estão vendo a correria que está acontecendo no Cine Líbero Luxardo, do Centur? “Piaf – Um Hino de Amor” está lotando todas as sessões, o espaço programou até sessões extras, às 17hs, hoje, sábado e domingo. Dizem que até cambista aparece. Ta vendo o que o Oscar faz. Mas é natural.
Encanta-me saber que o filme está causando esta comoção. Não sei qual milagre, o medíocre diretor de “Rios Vermelhos 2”, Olivier Dahan, operou. Sei que minha vontade de ver o filme, reside apenas em um fator, sentir a poderosa voz da autora da famosa e linda “La Vie em Rose”, e da ‘touradinha’ “Le Deux Menetriers”. Além disso, o que vier, é lucro.
No Cine-Estação, como de praxe, a movimentação só começa no fim do mês. É rir para não chorar. O espaço começa suas atividades do mês no fim do mês! Ô Belém pai d’égua! “Querô” e “O Grande Chefe” serão exibidos nos dias 22, 23 e 30. O primeiro é dirigido pelo diretor Carlos Cortez, e ficou famoso pela atuação do novato Maxwell Nascimento, o feiosinho da novela “Malhação”.
O segundo é do superestimando Lars Von Trier. No Espaço Municipal Cine Olympia é aquela marmelada que todos conhecem. Os que quiserem, podem se lambuzar.
No espaço Moviecom, a estréia do novo David Cronenberg fará a cabeça dos “mais exigentes”, “Senhores do Crime”. O filme não passa de uma “continuação” do famoso “Marcas da Violência”, existe até uma ‘gota’ de honestidade por parte do canadense. Mas isso não quer dizer muita coisa. Com um saco de pipoca na mão e uma namoradinha na outra, a diversão estará garantida.
Pensei que o ‘gore’ em profusão de “Rambo 4”, faria eu mudar minha opinião com relação a famosa franquia dos anos 80. Infelizmente não. Essas continuações! Meu irmão diz que o novo título de Indiana Jones deveria ser “Indiana Jones e a Bengala de Ouro”. Outro embuste está a caminho.

Deixando Belém de lado, não poderia deixar de falar sobre o lançamento do livro “Mario Bava – All the colors of the dark”, no fim do ano passado, de Tim Lucas, grande admirador do cineasta, e que dedicou 30 anos de sua vida para dar-nos este presente de mil páginas, contando tudo sobre a carreira do mestre do cinema gótico italiano.
Bava, também, foi precursor dos ‘Gialli’ e deu ‘comida’ a muitos cineastas. Tem gente que só conhece os “filhotes” do Bava, é uma pena. Entre eles, há um grande calhorda, o famoso Tim Burton. O confrade Ronaldo Passarinho diz em seu blog; “os últimos 20 minutos, mais ou menos, de “Sweeney Todd”, disparado o melhor filme de Burton são explicitamente “bavianos”. Passarinho foi bonzinho e esqueceu de dizer que quase todos são "bavianos" , até "Batman" e "Batman- O Retorno" são cafajestagens.
Ainda não tive a chance de ver a recente obra de Burton, mas, se realmente, existe algo de importante, é em função da única coisa que Burton tem de coerente em sua vida: 'ser um admirador confesso do Deus italiano'.
Fui motivado a evocar o autor da obra-prima “Sei donne per l’assassino”, quando li, a carta que Lamberto Bava, filho do cineasta, e que brinca de ser um de vez em quando, enviou ao pesquisador Tim Lucas, agradecendo pelo livro. Quem traduziu a carta e teve a generosidade de me enviar, foi outro admirador do italiano, Fernando Carvalho. Leiam:
Querido Tim,
Incrível.
É real, existe.
Eu não tive coragem de tocá-lo.
Apenas abrindo e olhando aqui e ali era de manhã, o dia inteiro passou e eu nem sequer notei.
Grande, único.
Obrigado, de Mario, de mim, de toda a nossa família.
Eu preciso de tempo para examiná-lo mais cuidadosamente e viver de novo tudo que eu vivi quando era criança.
Obrigado, você deu a Mario a imortalidade.
Uma obra-prima cheia de amor.
Minha primeira impressão só pra que você saiba o quanto estou agradecido, eu preciso de tempo para tentar compreender a importância do que você fez.
Lamberto Bava
Não podia ser melhor que isso. Receber uma carta e uma foto como essa faz todo o nosso trabalho valer à pena:
Tim Lucas

Lamberto Bava com o livro de Bava e família. À sua volta, da direita para esquerda: seu filho Fabrizio ("Roy"), filha Georgia, filho Alessandro, e a filha de Georgia Martina Brusco, bisneta de Mario – e aspirante a atriz!
É tocante saber que existem almas caridosas, Tim Lucas é uma delas. Ele terá seu lugar garantido no céu. Todos os admiradores de Bava também, até os calhordas. Para os pecadores, ainda resta alguma chance. Corram!
Em tempo: “A Máscara de Satã", primeiro filme de Bava, que está entre os melhores do cineasta, e "As Três Máscaras do Terror",são dois títulos raros disponíveis no mercado de Dvd nacional. Lançandos pela Dark Side.

criado por Aerton Martins
14:08:12