Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

19/2/08

Baboseiras…Baboseiras…

Foi saboroso ver o primeiro capítulo da nova minissérie da ‘Rede Globo’. “Queridos Amigos” é o primeiro trabalho inteiramente da autora, Maria Adelaide Amaral, ‘dona’ , também, das famosas “A Muralha” e “JK”.

A abertura, por mais superficial e boba que tenha parecido, me levou a um tempo que não vivi, mas é nele que ‘encontro’ a maioria das pessoas que admiro. Um recorte de filmes, cineastas, músicos, pintores, acompanhados pela voz da sublime “negra” Janis Joplin. Devo salientar, também, a força de vontade da diretora Denise Saraceni.

 Fui tomado de assalto com aquela incorporação de “Godard”. Um jump cut- servindo um diálogo -, que deve ter feito muito telespectador gritar de raiva. Fazer algo na televisão é penoso, ainda mais no formato de minissérie. A televisão não emburrece, só acalma.

A nova empreitada global fez-me lembrar que este ano, o disco “The Beatles”, conhecido como “Álbum Branco”, completará quarenta anos. Foi em novembro de 1968 que a obra-prima dos ‘Fab four’ foi concluída.

Não é exagero afirmar que o disco contém toda a gênese musical que viria a seguir. É desse disco a canção “Long, Long, Long”, escrita e cantada pelo guitarrista George Harrison, a música contém toda a estrutura das canções do famoso grupo “Pink Floyd”.

Não me entenda errado, acho Pink Floyd um grande grupo. Mas todo mundo que tem a cabeça na terra, sabe da admiração que Roger Waters tinha pelos garotos de Liverpool. E que o "Pink Floyd", assim como todos os grupos que viriam a despontar mais tarde, como “The Who”, “The Kinks”, “Rolling Stones”, “The Stooges”, eram apenas grupos tentando emular o som dos ‘comportadinhos’ de terno.

É engraçado ler alguns textos falando sobre a influência que Bob Dylan teve no trabalho dos ingleses. Mas a ‘aula’, não se deu apenas de um lado, foi mútua. Dylan percebeu, com os ingleses, que eletrificar sua música, não era simples questão de modismo, era evolução. O Folk tradicional foi ‘embora’, o Rock ‘ficou’. O próprio Dylan deu a partida. Para quem conhece, e gosta do “Álbum Branco”, comemore desde já.

Deu à louca no ‘Cine-Estação’, uma loucura positiva. Exibiu o “Planet Terror”, de Robert Rodriguez, e “Noel- Poeta da Vila”. É realmente estranho ver um filme de gênero no espaço. Por mais que o filme de Rodriguez seja medíocre como cinema, tenho que dar a mão à palmatória pela iniciativa. Ainda mais, junto com a biografia de Noel Rosa. Que o ‘estranho’ perdure.

 
Um jornal local não teve pena e humilhou o conceito das ‘grindhouses’. Aquela velha arenga de generalizar. Associou as sessões-duplas somente aos filmes sanguinolentos. Usou o termo ‘trash’ de forma errada, erro que a maioria, infelizmente, ainda comete. Acho que Sergio Leone e Mario Bava devem estar tristes  lá em cima.

Coitada da obra-prima "Vanishing Point", que saiu no Brasil como "Corrida Contra o Destino". Eu não percebi nem um zumbi no lindo ‘road-movie’ de Richard C. Sarafian, quando o vi. Acho que minha vista estava mal, só pode. Tem gente que confunde tudo, e o jornal aparece para confundir ainda mais. Por favor, tenham mais tato com seus textos. O termo ‘pesquisa’ não existe à toa.

Só para não perder o costume, o Cine-Líbero Luxardo, do centur, ainda continua com o longa “A Via- Láctea”, da diretora Lina Chamie. Dizem que ela captou 80% das imagens em digital mini-DV, e os 20% restantes em super-16 e 35mm. Só penso no coitado da parte técnica que contabilizou as porcentagens, para poder dar as informações. Veja o filme por mim, porque nessa lambança eu não entro.

criado por marklewis    15:46 — Arquivado em: Sem categoria

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