12/2/08
Onde os Fracos Não Têm Vez

Na sublime abertura de “Onde os Fracos não tem Vez”, somos testemunhas de doze planos, dos lugares ‘vitimas’ da violência, combinados com a melancólica narração da personagem de Tommy Lee Jones. O discurso sobre a violência ‘permeará’ a obra toda, seja por meio de diálogos ou pelo olhar cansado do xerife.
É no ‘fim’ da primeira seqüência que somos apresentados ao personagem Anton Chigurh, interpretado por Javien Barden. O assassino entra do extra-campo, algemado. No carro, um cilindro de oxigênio. Objeto que o acompanhará durante sua jornada. Em cena paralela, com o uso da câmera subjetiva, vemos, os cervos que Llewelyn Moss – vivido por Josh Brolin, que amadurece a cada filme -, pretende abater.

Na delegacia, Chigurh faz sua primeira vitima. A cena nos é dada através do lindo uso funcional da plongé e, de planos curtos. Vemos a(s) marca(s) da bota da vitima no chão e a expressão perturbadora do assassino. Quem nos serve é a ‘economia’. Do ’simples’ temos a grandiosidade.
São nessas belíssimas seqüências que podemos comprovar a evolução imagética dos Irmãos Coen. Eles trabalham com detalhes riquíssimos. Difícil esquecer a cena onde o assassino lança o jogo do ‘cara e coroa’ ao frentista, a embalagem vazia sobre a mesa vai se abrindo e o som natural – ou como queiram, diegético- ‘rasga a imagem’.
Se alguns lançam o termo áudio-visual ao cinema, é nessa cena que encontraremos possíveis discussões. Os Coen mandam e desmandam em qualquer fiapo da narrativa. ‘Subversivos’, ‘violentos’, ‘respeitosos’.

As elipses das seqüencias finais devem encontrar muitos detratores, mas são nelas que se encontra a clareza dos Irmãos. Em uma cena-chave, vemos em long-shot, o assassino, observando se o seu sapato está limpo. A cena é, no mínimo, uma prova de que os cineastas estudaram a ‘arte de como mostrar’.
Não li o livro, algum dia pretendo ler. Não sei se eles respeitaram o romance de Cormac McCarthy. Isso também não me interessa. Interessa-me apenas o ‘olhar’, neste caso, do cinema. E este, me foi concedido.
criado por marklewis
18:48 — Arquivado em: 

Comentário por Mateus — 15 15UTC fevereiro 15UTC 2008 @ 2:20
então tu viu o filme hein maledeto!.. aiuha.. acabamos de exibir o Barton Fink no Cine Uepa.. foi excelente a sessão.. eai,esse é o melhor deles afinal? Melhor que Barton Fink? (logico que eu não li teu artigo, pq ainda n vi o filme).. escrevi sobre o INLAND, vou criar um blog pra postar.. aiuha
saudades rapá, bora marcar uma birita. Vi Perversion Story do Fulci, foda pra caralho, esse grande fdp é um genio, foda-se!
(de repente there will be blood essa semana, pega o terço e só para qnd eu mandar!)
Belém, onde os fortes não tem vez.
Comentário por Mark Responde: — 15 15UTC fevereiro 15UTC 2008 @ 12:19
Agora posso chamar os Coen de ‘cineastas’, Mateus. E o “Sangue Negro” não veio.Abraços.
Comentário por Mateus — 16 16UTC fevereiro 16UTC 2008 @ 14:18
APJCC.. vai rolar terrorismo, já deu a conta.. nem Coen’s nem PTA.. vamos cobrar o que é de direito dos cinéfilos de quem diz q traz o cinema pra cidade.. Centur e Estação.. vamos ficar sem ver esses filmes nas telonas e não reclamar? Terrorismo baby, chega de brincadeira. e to falando sério, culhões ou nada.
Comentário por Adolfo Gomes — 20 20UTC fevereiro 20UTC 2008 @ 12:42
Caro Mark,
Você vê tudo mesmo. Sabe meu caro, estréias de filmes como os do Coen nos cinemas de Belém é mesmo um luxo, um supérfluo, como dizia o Figueiredo na década de 80. Agora entendo que é por altruÃsmo que você ainda se indgna com a situação. Na minha época, se não trazia o filme, à s vezes com grana do próprio bolso e engolindo todos os sapos, não via, nem em DVD, nem na Internet.
Grande abraço,
Adolfo
Comentário por Mark responde: — 20 20UTC fevereiro 20UTC 2008 @ 21:14
É, Adolfo. Esse altruÃsmo vem da arte que amamos.Tudo pelo cinema, e para quem gosta. Abração, caro ‘Langlois’.