3/2/08
Ô Saudade

Não me recordo exatamente quando a prefeitura de Belém resolveu fazer a sessão solene para a reabertura oficial do antigo ‘Cinema Olympia’, hoje ‘Espaço Municipal Cine Olympia’. Minha memória é curta e a Universidade não me permitia futilidades.
Foram muitas negociações. Reuniões. Debates. A população ficou apavorada com o possível fechamento de um dos mais antigos cinemas de Belém, quiçá, o mais antigo do Brasil. “Era como se uma das torres do ‘Ver-o-Peso’ viessem a cair, um patrimônio do povo”, disse uma fã.
Luiz Severiano Neto, herdeiro do grupo que possui mais de 200 salas de cinema espalhadas pelo Brasil, e que comandava o espaço, resolveu fazer sua parte. “Quero que ele seja um sucesso”. Sessões para alunos da rede pública, ciclos de diversos países, eventos regulares que viessem a disseminar a produção local, palestras, mostras e mais mostras, tudo prometido pelo empresário e pela prefeitura.
“Não basta preservar o espaço, é preciso aproveitá-lo 100%, da manhã até a noite”, desabafou o empresário Luiz Neto. Tentei visualizar seu rosto tristonho, cheio de lágrimas. É claro que os ‘mendigos’ belenenses mostraram satisfação. Uma grande luta para reabrir o local, imagino o ‘esforço’ dos críticos locais, da prefeitura, das ‘viúvas’.
Foi choro pra tudo quanto é lado. Teve até sessão de gala na suposta última sessão, com o filme ‘Syriana’. Sessão lotada. As ‘viúvas’ apregoaram que o traje solene serviria como homenagem e, como protesto contra a grande injustiça iminente.
Houve uma reunião semanas depois, para comemorar o controle por parte da prefeitura. O prefeito, críticos locais, presidente do grupo Severiano Ribeiro, público, até a cineasta Tizuka Yamazaki compareceu. Ela disse ter adorado a mobilização para que o cinema não fechasse.
”Seria uma agressão à auto-estima do povo belenense, se o espaço virasse supermercado ou igreja”, disse a diretora de “Xuxa Requebra”. Quase dois anos se passaram. Não tem ciclos de diversos países, não tem sessões para alunos da rede pública, não tem eventos regulares- o ‘Festival de Belém do Cinema Brasileiro’ não conta, pois é comida requentada-, não tem nada que dissemine a produção local.
O público aparece? Claro. Para ir ao banheiro, para dormir, para esperar a chuva passar. Ainda existem aqueles que insistem em ver algo diferente na proposta da programação, como eu. Prometo que terei mais zelo com meus olhos. Tizuka Yamazaki está em Florianópolis, feliz da vida com seu primeiro desfile em escolas de samba. O Belenense tem “A Traição”. Até que um supermercado não seria má idéia.
Tenho uma imensa saudade da época que matava aula para ir ao cinema, e o ‘Cine Olympia’, foi testemunha disso. Foi nele que eu fui barrado de assistir “Pulp Fiction”, com meus treze anos. Ô saudade.
criado por marklewis
12:47 — Arquivado em: 

Comentário por Blilo — 5 05UTC fevereiro 05UTC 2008 @ 10:25
Mais um daqueles elitistas que não se mexe..só faz falar, falar….quer exibição de nÃvel maior? faça projetos, corra, aposto que nunca mexeu sua bunda da cadeira…
Comentário por Mark responde ao Blilo — 6 06UTC fevereiro 06UTC 2008 @ 11:16
Elitista? Blilo, minha bunda precisa é de descanso. Conheces a ‘Sessão Maldita’? Procure saber quais os colaboradores de 2007. Beijos se fores mulher, abraços se fores homem.
Comentário por Breno — 10 10UTC fevereiro 10UTC 2008 @ 3:57
Esse babaca é aquele Paul do blog do Ronaldo, Mark. Nem liga. Apenas mais um imbecil que não mostra a cara. O Mark organiza a “Sessão Maldita”. Informe-se e sai do armário, Paul.
Comentário por Brunelle — 11 11UTC fevereiro 11UTC 2008 @ 17:57
Aposto que no momento das exibições o Blilo está em algum buteco falando de cinema.