1/2/08
Fico com Gagliostro
O cinéfilo paraense que fica na cidade, e quer fugir da bagunça do ‘carnaval’, terá poucas opções para matar sua ‘fome’. Já o ‘filméfilo-moviecom’, se esbaldará até dizer chega. Tem o filme com o quase ator Selton Mello, um ator que ‘rouba’ todos os filmes que faz, por isso fico estressado quando vejo algo com ele, ‘só existe ele’, ‘não um filme’. É um ator simpático e, isso no Brasil, para a maioria, é muito.
Se existe um subgênero que me seduz é o de filmes de gângster. Como se esquecer do desfecho sublime do único filme palatável de Michael Curtiz, “Anjos de Cara Suja”? Da obra-prima “Scarface- A Vergonha de Uma Nação”, do versátil e Deus “Howard Hawks”? Das pavoras caretas - São lindas quando bem feitas, dizia Renoir-, do hipnotizante James Cagney, em “Fúria Sanguinária”, um dos poucos ‘tiros certos’ de Raoul Walsh? Um subgênero que nos legou obras lindas, que são credos para qualquer cinéfilo que se preze.
Para a infelicidade da ‘mãe-cinema’, o superestimado Ridley Scott presenteia seus fãs com “O Gângster”. Fico até arrepiado pensando no que o análogo de Adrian Lyne fará com um lindo mote em mãos. Cinema é coisa de adulto, não de bagunceiros.
Outro filme que deve levar os espectadores belenenses ao ‘paraíso’, é o concorrente ao ‘Oscar’, “Desejo e Reparação”. O filme tem cara de ‘Oscar’, cheiro de ‘Oscar’, e deve ter um sabor de ‘Oscar’. Desse ovo choco eu não provo. Que os cinéfilos mais exigentes torçam para que, pelo menos, o ‘dramático’ filme de Joe Wright, deixe alguns premiozinhos para “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “Sangue Negro”. O Primeiro é dos irregulares, mas corajosos, “Irmãos Cohen”, e o segundo, do grande “Paul Thomas Anderson”. Só ganhando alguma estatueta é que eles têm chance de vir para Belém, poucas, mas já é um pingo de esperança.
Nos espaços ditos alternativos, apenas duas opções. A “nova” cópia, em 35 mm, da obra-prima do grande Ingmar Bergman, “Gritos e Sussurros”, que fica até dia 03, no ‘Cine Líbero Luxardo’. Um dos maiores cineastas do cinema faleceu dia 30 de julho de 2007, praticamente todas as cidades prestaram suas homenagens no mesmo ano, algumas até na mesma semana, diga-se.
O público de Belém deve ter se sentido traído com o que viu na sessão inaugural. A propalada cópia estava granulada, riscada, cortes bruscos e borrões. Por isso o público presente se comportou como um ‘cavalo dando coice’, pensavam que estavam em uma ‘Grindhouse’. Bergman merecia mais respeito. Deve-se salientar que, quando uma cópia em película é usada várias vezes, é natural que ela fique neste estado. Um pouco sujo, um pouco torto, mas Bergman ‘chegou’. Antonioni também ‘chegará’, espero que um pouco mais ‘limpinho’.
A outra opção é o filme “A Traição”. Mais uma produção francesa que o ‘Espaço Municipal Cine Olympia’ traz. Tem gente até rebatizando o espaço, ‘Espaço Municipal cine-frança’, nada mais justo. Quem não gosta de carnaval e pretende se deslocar ao cinema, boa sorte. Eu fico aqui, com “Gagliostro”, título de uma das grandes aventuras do detetive Dylan Dog, que aprecio muito.
criado por marklewis
12:26 — Arquivado em: 
