Cinema na Mangueirosa

Dedicado aos que amam cinema. A música também pintará por aqui, sobretudo Rock n Roll.

22/1/08

Devemos a Hollywood

Fico todo empolado quando escuto, ou vejo alguém levantar voz contra Hollywood. Uma mania, feia, que vem aumentando a cada década que entra. Em 1912 só existia um imenso campo de ervas daninhas onde fica, hoje, a grande ‘mandona’ do cinema.

Foi com o apoio do amalucado diretor Cecil B. DeMille que Jessé Lasky pôde levantar uma das grandes ‘majors’, a Paramount. Não só a Paramount se estabeleceu, mas um punhado de estúdios se concentrou no lugar, um lugar abençoado e destinado a dar novos rumos à arte chamada ‘cinema’.

A França ‘inventou’ o cinema, mas foi dentro do estado norte-americano que ele se profissionalizou, se racionalizou, tomou rosto, gerou artistas. Antes, havia apenas amadores brincando. Não custa reforçar o que todo mundo sabe, Griffith foi um dos generosos, deu ao público o direito de ser exigente a então nova arte. Hollywood deu ‘ferramentas’ aos ‘filhos adotados’. Ou alguém vai dizer que Hitchcock não se tornou mais exigente com seu trabalho quando viu a grande possibilidade de criação em sua nova terrinha, heim?

 A poderosa indústria não fez mal a ninguém, só bem. Do dinamarquês Sirk ao grego Kazan, aos vienenses Ulmer, Wilder e Lang. Todos receberam sua porção ‘mágica’. Até o francês Bresson bebeu da porção, fez leitura da decupagem clássica hollywoodiana para realizar suas obras, à seu modo, mas bebeu.

Fazer filme sem dinheiro não existe. Tem-se que acabar com a concepção de quê quanto mais dinheiro, mais feio será o resultado, aquele discurso torto que está na ponta da língua quando se quer vilipendiar algum artista, só porque ele conseguiu recursos, “ele é comercial, não presta”. Quando Godard, Resnais, Antonioni e Bergman faziam seus filmes, eles não pensavam em levá-los ao banheiro para servirem de adorno.

Tem gente que pensa assim. É um olhar que emburrece e me aborrece. Não morro de amores pelo trabalho de Cecil B.DeMille, mas, bendito seja aquele ano de 1914, onde o autor de “Madame Satã”, deu o primeiro passo. Numa terra abandonada ergueu-se o que viria a ser arte. E que arte.

criado por marklewis    18:08 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por Tarkovsky1138 — 23 23UTC janeiro 23UTC 2008 @ 13:16

    Bem dito. O grande problema a meu ver está em quem dita as regras de cinema hoje, quantos cinéfilos hoje têm voz na tarefa de apresentar um filme ao público, está tudo nas mão de filósofos e jornalistas, gente que não entende as sutilezas da mis’en cene e acha que cinema é palco para a apresentação de teses filosóficas e de mestrado para uns poucos “escolhidos”, daí darem indevida importância aos Costa Gravas da vida, e retirarem O nascimento de uma Nacão do Griffit da lista dos melhores por que “sua visão não coincide com as novas tendências sociais de hoje”. Cinema é imagem, é para ser visto e sentido, todos os monstros dessa arte sabiam disso, mesmo sabendo que os pseudos estavam na platéia.

  2. Comentário por Mark responde: — 24 24UTC janeiro 24UTC 2008 @ 15:26

    Se todos gritassem juntos, Fernando. Mas sempre será assim. Não tenho esperança.

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