27/1/08
O Honesto, o Vagabundo e o InvisÃvel.
O primeiro mês do ano está terminando e, como era de se esperar, os espaços que travam uma suposta batalha com o circuito comercial se mexeram pouco. Fizeram apenas cócegas. O Cine Líbero Luxardo, do centur, começou suas atividades de 2008 de forma até respeitosa.
Trouxe a obra recente do muito falado e pouco visto autor de “Muriel”, Alain Resnais. “Medos Privados em Lugares Públicos” é um filme honesto, pede delicadamente ao espectador certa urgência com seu sentido cinematográfico. Resnais não é tapado, sabe que o cinema é a arte da mise-en-scène e não mancha seu quadro com artifícios teatrais puros, apenas os equilibra. Nas mãos de outro diretor, esta obra não passaria de curso inicial para telefilme. Nas de Resnais, o cinema pôde ter, mesmo que por alguns instantes, o direito de suspirar.
O ‘Espaço Municipal Cine Olympia’ começou o ano com um vagabundo filme francês. “Vizinhos e Vizinhas”, de um tal Malik Chibane. Só não é o filme mais feio que vi na vida porque ele funcionou como sonífero. Narra à história-musical de um rapper tentando ser mago de seus vizinhos, Deus das manifestações. Só isso e mais nada. Não funciona como cinema, nem como telefilme, e muito menos como manifesto-musical. Apenas serve para mostrar a pluralidade dos espaços de Belém. ‘Pluralidade dos vagabundos’.
No ‘Cine Estação’, que começou suas atividades só na metade do mês, quase junto com o ‘Cine Líbero’, foi exibido o longa “Jogo de Cena”, do premiado diretor Eduardo Coutinho. Não posso contar o longa de Coutinho como um dos filmes exibidos em nossa cidade. O filme foi exibido em apenas um fim de semana. É uma afronta ao público paraense. Essa situação me remete aos filmes do Buñuel. Não entendo a política de funcionamento do espaço. Dever ser a política do espaço “alternativo”, quanto menor o número de exibições, mais cara de ‘marginal’ ele terá. ‘Sacaneativo’, isso sim.
criado por marklewis
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